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Linhas Tortas
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A bolha nossa de cada dia

Aqueles dias em que a gente tem certeza de que não deveria ter saído de casa, talvez sejam os dias em que mais estejamos sujeitos a grandes aprendizados.
E, apesar de já termos recebido, no mínimo, umas cinco mensagens de “bom dia”, via whatsapp – majoritariamente do grupo da família – o dia vai se transfigurando em um verdadeiro episódio de série de terror, cujo final dá até medo de pressagiar.
Perde-se totalmente a paciência, que já nem anda muito achada. A vontade de ‘simplesmente’ largar tudo prepondera. E o esforço para não estourar com o primeiro pobre coitado que lhe questiona docemente sobre “como vai você”, torna-se colossal, quase insuportável.
Isso porque, ter um bom dia de verdade, tá valendo ouro. E, embora, as postagens de insta, status e face nos façam parecer verdadeiras Alices no País das Maravilhas ou verdadeiros Peter Pans que nunca crescem, com agravo do adicional alcoólico em cada mãozinha postada ao lado do “tinino” – estar feliz, na essência, estar pleno ou plena, é uma quase cruel raridade.
Porque nas atuais badaladas redes sociais de inteligências superficiais, o aprendizado tem sido muito pouco. Aprende-se bem mais naqueles dias em que o horário, o cafezinho, os colegas de trabalho, os irmãos, os filhos, a professora, o ônibus atrasado, o pneu furado, tudo/todos parecem ter a missão específica de terem acordado ou existirem somente para lhe espezinhar – como se o mundo girasse somente ao seu redor. Mas os quais, na real, lhe fazem realmente perceber o que acontece quando se fura a bolha imaginária em que temos cada vez mais nos escondido, contemporânea e insanamente.
*Jornalista e autora dos livros “As verdades que as mulheres não contam” e “Para alguém que amo – mensagens para um pessoal especial (Instagram: @priscillaportoescritora)

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