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A eleição presidencial nos EUA

No dia 3 de novembro próximo a eleição presidencial nos Estados Unidos da América chegará na reta final, quando a totalidade dos eleitores registrados e que decidiram votar terá depositado seu voto nas urnas (físicas ou por envelopes). Espera-se que na madrugada de 4 de novembro já se tenha um presidente virtualmente eleito, pois a eleição popular define o vencedor em cada estado que assim terá os votos dos delegados de cada estado para si.
No presente momento, não há clareza de quem deverá ser o vencedor, se o atual presidente, Donald Trump (partido Republicano) ou o desafiante Joe Biden (partido Democrata).
Alguns indicadores são importantes para apontar o favoritismo para um dos candidatos.
Um deles são as pesquisas eleitorais nacionais, que são feitas às dezenas semanalmente nos EUA. No momento, a maioria das pesquisas publicadas apontam para o favoritismo de Biden, pois elas indicam uma vantagem próxima dos 10 pontos percentuais para ele. Mas algumas considerações críticas devem ser feitas com a qualidade dessas pesquisas.
Os resultados divulgados frequentemente são discrepantes, revelando possibilidade de erro nas pesquisas. Pesquisas eleitorais, feitas por amostragem da população, trabalham com “margem de erro” nos seus resultados e quando mais de uma pesquisa é feita no mesmo período é de se esperar que os resultados sejam semelhantes, dentro das margens de erros das pesquisas. Porém, se o resultado ultrapassar a margem de erro fica demonstrado que uma pesquisa não confirma a outra. Infelizmente, isso tem acontecido muito nas pesquisas divulgadas. E não deve ser esquecido que, em 2016, os resultados das pesquisas eleitorais nacionais apontaram, na grande maioria, o favoritismo para a eleição de Hillary Clinton, sendo que isso não aconteceu, afetando sua credibilidade. Por isso, devemos ter redobrado cuidado com as pesquisas divulgadas, pois muitas delas são mais uma peça de propaganda para uma das candidaturas que propriamente um esforço de trabalho científico em busca de um resultado que seja o mais próximo possível da realidade.
Outro indicador importante em uma eleição que tem o atual presidente tentando se reeleger são as pesquisas de avaliação de seu trabalho, que divulgam o percentual do eleitorado que aprova ou desaprova o presidente. Por esse indicador, um presidente que tem um alto percentual de aprovação será favorito na eleição, e se tiver um percentual alto de desaprovação seu desafiante será favorito.
Nos EUA é possível fazer uma análise histórica desse indicador avaliando os presidentes que foram bem sucedidos na tentativa de reeleição. É possível fazer isso desde 1980, quando o Democrata Jimmy Carter tentou se reeleger enfrentando o desafiante Republicano Ronald Reagan. Às vésperas do dia da eleição, Carter tinha apenas 37% de aprovação e perdeu a eleição. Reagan tentou se reeleger em 1984 e às vésperas da eleição tinha 60% de aprovação e ganhou a disputa. Seu sucessor, George H. W. Bush (mais conhecido como “Bush pai”) quando tentou se reeleger, em 1992, tinha apenas 34% de aprovação e assim perdeu a reeleição para o desafiante Democrata Bill Clinton. Em 1996, Clinton tentou se reeleger e tinha 54% de aprovação perto da eleição e assim ganhou a disputa. Seu sucessor foi o Republicano George W. Bush (mais conhecido como “Bush filho”) que, em 2004, tentou se reeleger. Ele tinha, às vésperas da eleição, 48% de aprovação e venceu a disputa. Seu sucessor foi Barack Obama (Democrata) que, em 2012, tentou a reeleição. Às vésperas da eleição ele tinha 52% de aprovação e se reelegeu.
Donald Trump tem, hoje, nas médias das pesquisas divulgadas 44% de aprovação, e em um tracking (modalidade de pesquisa feita diariamente) e conduzida pelo instituto Rasmussen (que tem um bom histórico de desempenho em eleições presidenciais) Trump tem 52% de aprovação. Ou seja, quando se comparam os presidentes que perderam a reeleição eles tinham índices de aprovação abaixo de 38% e Trump, seja pela média das pesquisas feitas, seja pelo tracking do instituto Rasmussen, apresenta uma taxa de aprovação bem maior. Assim, por esse indicador Trump é favorito para ganhar a eleição em 2020.
Um outro indicador importante é a pesquisa de satisfação do consumidor que é feita pela Universidade de Michigan desde os anos 50 do século XX. Esse índice é calculado mensalmente e quando ele tem um resultado perto de 100 pontos é indicativo que o consumidor está mais otimista com o futuro da economia. Mas quando o índice está abaixo dos 80 pontos ele é indicativo de pessimismo por parte do consumidor. No histórico dos resultados desse índice, às vésperas da eleição presidencial, temos um quadro que revela que quando um presidente que está tentando a reeleição tem, no mês próximo do dia da eleição, um índice de satisfação do consumidor abaixo dos 80 pontos ele perde a disputa. Assim aconteceu com Carter (índice em 75) e “Bush pai” (índice em 73,7). Por outro lado, presidentes bem sucedidos na reeleição tiveram índices acima de 80 pontos: Reagan (96,3), Clinton (96,5), “Bush filho” (91,7) e Obama (82,6). Este ano, o resultado da primeira quinzena de outubro foi 81,2 e ele projeta favoritismo para Trump na eleição.
Concluindo, com os indicadores aqui listados e analisados, Donald Trump é favorito para ganhar a eleição deste ano.
*Cientista Político/Diretor de GIGA Instituto de Pesquisa
Professor de Relações Internacionais do IBMEC-MG
Professor de Administração Pública da UFOP

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