Por: Marcos Delamore
A terceira edição do evento Hidrogeodia será realizada no dia 22 de março, na Serra de Botafogo, em Ouro Preto. O evento é uma das atividades em comemoração ao Dia Mundial da Água, que visa impactar positivamente e educar sobre a importância das águas subterrâneas, possibilitando a comunicação mais próxima entre o coletivo da localidade e o corpo acadêmico para discutir soluções sustentáveis e promover a gestão do recurso natural e essencial para a vida.
Hidrogeodia
O Hidrogeodia é um encontro que tem como objetivo ampliar o conhecimento do público sobre as águas subterrâneas e a sua associação com as bacias hidrográficas, além de oferecer um momento de reflexão sobre a relevância da água para a sociedade e para a saúde pública.
A principal pauta discutida na convenção são as águas subterrâneas, recursos hídricos sob a superfície terrestre que preenchem os poros de rochas e sedimentos, que constituem os aquíferos e são importantes para a segurança hídrica do país e do globo. Elas sustentam diversos sistemas aquáticos, como: rios, lagos, nascentes, mananciais de abastecimento e ecossistemas.
A comunidade denuncia que a Serra de Botafogo, situada a 7 km do Centro Histórico de Ouro Preto, tem os seus aquíferos ameaçados pelo licenciamento das atividades mineradoras de seis empresas do setor, que causam danos irreversíveis para as águas subterrâneas da localidade.
O evento é uma ocasião para refletir e analisar os efeitos da prática das mineradoras e apoiar a preservação e conservação do patrimônio hídrico. Essa experiência é organizada pela Associação Internacional de Hidrogeólogos em parceria com a Cátedra UNESCO Água Mulher e Desenvolvimento (NUCAT), PROEX UFOP, Programa Geociências Sem Muros, Programa Participa Minas, PET Engenharia Geológica da UFOP, Associação de moradores e amigos do Botafogo (AMAB), Associação de Proteção Ambiental de Ouro Preto (APAOP) Instituto Guaicuy, Associação Quadrilátero das Águas (AQUA) e Projeto Manuelzão UFMG.
Dia Mundial da Água
O dia 22 de março foi a data instituída pela Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) para comemorar o Dia Mundial da Água. Nesse momento, as questões essenciais que envolvem a água são colocadas em discussão. O objetivo dessa data é alertar a população sobre a necessidade e a urgência em preservar esse bem natural e vital.
O patrimônio hídrico de Ouro Preto está em risco e pode ser um dos principais afetados pela atividade mineradora, o que resulta na diminuição da recarga de duas bacias hidrográficas: do Rio Doce, ao sul do território, e do Rio das Velhas ao norte, que contribui para o abastecimento de diversas localidades do Estado de Minas Gerais.
Serra de Botafogo
A Serra de Botafogo apresenta uma riqueza natural e abrange a Reserva Ecológica do Tripuí, a Capela de Botafogo, uma das mais antigas do estado, duas trilhas coloniais dos anos de 1718 e 1782, com ruínas de chafarizes, minas coloniais, entre outros bens ecológicos, históricos e arqueológicos.
O Botafogo é uma localidade histórica que remonta ao século XVIII e importante para a identidade e memória da comunidade e de Ouro Preto. A atividade do Hidrogeodia busca a preservação das montanhas, águas, florestas e de todo o patrimônio da região.
Diante disso e pensando na preservação desses patrimônios, em 2023, o Deputado Estadual, Leleco Pimentel (PT), foi autor do Projeto de Lei que declara a Serra do Botafogo como patrimônio ambiental, histórico, cultural, religioso, turístico, paisagístico, hídrico e social, de natureza material e imaterial de Minas Gerais.
Ailton da Silva, zelador da Capela de Santo Amaro e membro da Associação de Moradores e Amigos de Botafogo, comentou sobre a importância da proposta do deputado estadual. “Ela defende a preservação do patrimônio e evita a exploração do minério”, afirmou.
A Associação de Moradores e Amigos de Botafogo (AMAB Ouro Preto) e a entidade “Preserve o Botafogo” destacam que a região merece ser protegida e preservada para as próximas gerações. “A Região de Botafogo enfrenta ameaças sérias de interesses minerários que buscam explorar e destruir toda essa riqueza natural e histórica para benefício próprio, ignorando os valores que ela representa para nossa comunidade e para as gerações futuras”.
Du Evangelista, membro da Comissão de Acompanhamento do Plano Diretor de Ouro Preto, abordou a relevância do patrimônio hídrico da Serra de Botafogo e os impactos negativos da ação de empresas mineradoras na localidade. “Botafogo deveria ser uma zona protegida de atividades extrativas de todas as naturezas. É uma zona importante de recarga dos mananciais de água. Com a atividade mineradora, em um horizonte curto, a gente pode ter um problema muito grave de abastecimento de água em Ouro Preto”, enfatizou.
A Prefeitura de Ouro Preto, por meio das Secretarias de Meio Ambiente e Agropecuária, se reuniu com o Comitê da Bacia Hidrográfica (CBH) do Rio das Velhas para anunciar um novo aporte de R$ 5 milhões, somado aos R$ 5 milhões já em curso de investimento, para a preservação das águas do município.
O prefeito da cidade histórica, Angelo Oswaldo (PV), destacou a importância da parceria com o comitê. “É um investimento fantástico do comitê para a preservação da bacia hidrográfica do Alto Rio das Velhas”, comentou.
A presidente do comitê, Pollyanna Valgas, falou sobre os investimentos no território de Ouro Preto. “É uma preocupação com o território tão importante para a segurança hídrica da região”, revelou.
Demais informações do Hidrogeodia:
Data: Sábado, dia 22 de março.
Horário: 8h30
Pontos de encontro: Guarita na entrada da comunidade de Botafogo e na Capela de Santo Amaro.
A prática é aberta ao público, de caráter gratuito e, no fim das atividades, terá a emissão de certificados para os participantes.
O PET de Engenharia Geológica recomenda o uso de calçados fechados, blusas de mangas longas, calça, chapéu/boné, capa de chuva/sombrinha e levar água. No local, haverá uma feirinha comunitária com lanche.
As inscrições podem ser feitas através do formulário: FORMULÁRIO