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“Racismo, Constante como o Tempo”: Carlos Márcio lança obra premiada em Ouro Preto

“Racismo, Constante como o Tempo”: Carlos Márcio lança obra premiada em Ouro Preto

Carlos Márcio, violoncelista da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais, leva a Ouro Preto o concerto‑lançamento de “Racismo, Constante como o Tempo”, obra vencedora do Prêmio Resistência 2025. No dia 22 de setembro, na Casa de Cultura Negra, música e literatura se cruzam para discutir a permanência do racismo como estrutura histórica e cotidiana.

O livro reúne poemas, crônicas e um ensaio que percorre mais de quatro séculos para mostrar como o país recicla velhas violências. Prefácio de Rosália Diogo e posfácio de Carlos Aleixo dos Reis reforçam a força de uma escrita que nasce da experiência de um músico negro atuando em espaços moldados pela branquitude.

Natural de Sabará, mestre pela UFMG, Márcio transforma vivências pessoais em reflexão política. Seus poemas expõem cenas diárias de racismo; as crônicas revelam microagressões que o Brasil insiste em normalizar; o ensaio conecta a escravidão colonial, abusos médicos do século XX e o revisionismo que ainda tenta suavizar figuras escravocratas — inclusive no repertório que músicos são obrigados a executar. Em uma dessas situações, o autor tocou uma ópera sobre um bandeirante escravagista, testemunhando no palco o silêncio imposto aos corpos negros.

A dedicatória sintetiza o gesto de ruptura: “A todos que um dia me fizeram sentir o racismo: vocês despertaram em mim a escrita. Agora, leiam. Se puderem.”

Além do lançamento, Márcio celebra a seleção de “Ave, Maria” no Concurso Frauta de Barro 2025/2026, obra escrita durante a doença da avó e agora integrada ao catálogo da Editora Valer.

Serviço

Concerto‑Lançamento “Racismo, Constante como o Tempo” 

22 de setembro de 2026, às 20h 

Casa de Cultura Negra — Ouro Preto (MG)

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