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Pesquisa da UFOP busca mapear e ampliar a acessibilidade à população surda de Ouro Preto e Mariana

Pesquisa da UFOP busca mapear e ampliar a acessibilidade à população surda de Ouro Preto e Mariana

Imagem: Andreia Toffolo/ Arquivo pessoal/ Marcos Delamore

O projeto “Onde Estão os Surdos?” quer identificar a população surda em Ouro Preto e Mariana para subsidiar políticas públicas e ampliar acessibilidade

Um projeto coordenado pelo Departamento de Letras, da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), busca mapear a comunidade surda e desenvolver ações e projetos que promovam o acesso, a comunicação e a inclusão desse grupo nas cidades de Ouro Preto e Mariana, na Região Central de Minas Gerais.

O estudo intitulado “Onde Estão os Surdos?” iniciou a primeira fase de trabalhos em 2025 e busca alcançar a população surda da região que persiste fora de serviços e espaços públicos por falta de assistência de profissionais e intérpretes da Língua Brasileira de Sinais para acompanhamento e acessibilidade comunicacional e linguística.

A etapa consiste no preenchimento de formulário online acessível tanto em Língua Portuguesa quanto em Libras, e identifica a quantidade, a localização, a idade e a escolaridade de pessoas com deficiência auditiva. “Amigos, familiares e instituições podem contribuir com o levantamento”, afirmou Andreia Tofollo, orientadora do projeto.

A pesquisa, realizada por alunos da UFOP, é coordenada pela professora da universidade, Andreia Tofollo, e tem apoio das Secretarias Municipais de Saúde, Educação, Assistência Social e de Desenvolvimento Social e Cidadania das Prefeituras de Ouro Preto e Mariana.

“O tema partiu dessa busca em saber mais sobre os surdos. Gostaríamos de fortalecer essa população nas cidades para que eles mesmo possam falar por eles. O desafio é chegar nessa população. A partir do mapeamento, teremos dados para subsidiar propostas para essas pessoas”, destacou a coordenadora.

O cenário de pesquisas no Brasil

Para a doutora em Linguística Aplicada e coordenadora do estudo, as pesquisas voltadas a essa parcela da sociedade aumentaram a partir do Decreto 5.626/2005, que viabilizou a inclusão de pessoas surdas no Brasil.

“Temos um campo que está cada vez maior e aumentaram a partir da lei 10.436/2002 que reconhece a Libras como língua no Brasil e posteriormente pelo decreto 5.626/2005 que regulamenta a Lei nº 10.436/2002, garantindo o reconhecimento da Libras, a formação de profissionais e a acessibilidade linguística da pessoa surda, especialmente na educação e nos serviços públicos. No Brasil, se você fizer uma pesquisa bibliográfica de produções, no intervalo de 20 anos, você vai ver que o crescimento depois da legislação, foi algo gigantesco. Mas, se você muda o olhar, você vê que ainda falta muito. A gente caminhou muito, mas ainda falta muito”, enfatizou.

Segundo o Censo de 2022, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as cidades históricas de Ouro Preto e Mariana, em Minas Gerais, têm 6,5 mil pessoas com deficiência auditiva. Dessas, cerca de 500 apresentam perda total da capacidade auditiva, 1.450 com muita dificuldade em ouvir e 4,5 mil com alguma dificuldade para escutar.

Os dados também expõem a taxa de analfabetismo em pessoas com deficiência de 14,97% em Ouro Preto e 16,39% em Mariana. “A maioria dos surdos da nossa região não sabem nem Libras, nem Português”, pontuou Andreia.

A professora do Departamento de Letras da UFOP ressaltou que a instituição de ensino superior de Ouro Preto oferece, gratuitamente, aulas de Língua Brasileira de Sinais para a população e a comunidade acadêmica pelo projeto “Libras na UFOP”. 

Participe da pesquisa

Familiares, amigos e pessoas com deficiência auditiva podem participar da primeira fase da pesquisa, respondendo ao formulário online disponível em: AQUI, até o mês de julho.

Instituições, redes de apoio, programas, empresas e associações podem apoiar e ajudar no desenvolvimento e divulgação da pesquisa e do curso de Libras. Para mais informações, entre em contato com os responsáveis pelo projeto ou acesse as redes sociais oficiais do “Libras na UFOP”.

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