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Aplicativos regionais ganham força e Oper Drive se consolida como símbolo da mobilidade regional

Aplicativos regionais ganham força e Oper Drive se consolida como símbolo da mobilidade regional

A pesquisadora da UFMG e a direção da OPERdrive

O avanço das plataformas de transporte no Brasil costuma ser associado a gigantes globais como Uber, 99/DIDI e Indriver. Mas, longe dos grandes centros urbanos, uma outra história vem sendo escrita — e ela nasce justamente na criatividade e nas necessidades específicas dos territórios. Em Ouro Preto, Mariana e distritos como Cachoeira do Campo, a Oper Drive se destaca como um dos principais exemplos dessa nova fase da mobilidade regional.

A pesquisadora Bárbara Ramos Azalim, mestranda em Geografia pela UFMG e integrante do grupo de pesquisa [continente], sob orientação do professor Fábio Tozi, tem estudado o fenômeno da “plataformização” em cidades brasileiras. Segundo ela, enquanto as grandes empresas se concentram em metrópoles e capitais regionais — geralmente municípios entre 100 mil e 500 mil habitantes — regiões como a dos Inconfidentes ficaram por anos fora do radar dessas corporações.

“Tanto em Ouro Preto quanto em Diamantina, as empresas globais não adentraram. Isso demonstra a criatividade dos lugares para criar plataformas alternativas”, explica a pesquisadora em seu estudo.

Foi nesse cenário que a Oper Drive surgiu e se consolidou. Criada por ex-motoristas de aplicativos nacionais, a empresa nasceu com a proposta de oferecer um serviço mais próximo da realidade local, com diálogo constante entre administração, motoristas e usuários. A plataforma cresceu rapidamente e hoje é uma das principais referências de transporte por aplicativo na região.

Durante entrevista concedida à pesquisadora, representantes da Oper Drive destacaram que o objetivo sempre foi “ser diferente das grandes”, priorizando relações mais horizontais e valorizando os trabalhadores. A empresa afirma que sem os motoristas, a iniciativa não existiria — e por isso busca construir um ambiente de trabalho mais justo e transparente.

O crescimento, no entanto, trouxe desafios. Um mapeamento realizado em 2025 identificou 12 plataformas de transporte atuando na região dos Inconfidentes. A concorrência aumentou, mas também reforçou a importância de soluções locais que compreendam as particularidades do território.

Para Bárbara Azalim, esse movimento representa o que o geógrafo Milton Santos chamava de “revanche do território”: quando agentes não hegemônicos utilizam as mesmas ferramentas do capitalismo global para criar alternativas enraizadas nos lugares.

“As plataformas locais se conformam como iniciativas relevantes para a mobilidade brasileira. Elas combinam vetores globais com características herdadas dos lugares”, afirma a pesquisadora.

Com presença crescente nas ruas e forte adesão dos moradores, a Oper Drive se firma como um exemplo de inovação regional, mostrando que a mobilidade urbana não precisa seguir apenas o modelo das grandes corporações. Na Região dos Inconfidentes, a transformação vem de dentro — e tem sotaque local.

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