Outro bafafá, meio surdo, meio enrustido, se mostra, desta vez, em torno do projeto rodoviário, que pretende tirar a BR-356 (Rodovia dos Inconfidentes) da área central de Cachoeira do Campo. Sabe-se que, de acordo com a política rodoviária do país e normas técnicas a reger o setor, rodovias federais não cruzam centros urbanos. Portanto, o que se pretende agora fazer é um ajustamento às normas estabelecidas e nada mais. Isso do lado da política de infraestrutura nacional. Agora vejamos quanto ao sentimento da população local em relação à mesma rodovia. Há muito que se questiona a falta de segurança no trecho urbano da rodovia, muitas reclamações já feitas; infelizmente, óbitos já se registrram, por falta dessa segurança. Conforme o fluxo do tráfego, cada vez mais intenso, na rodovia, congestiona-se o trânsito local, tudo se complica e pedestre não consegue cruzar a rodovia sem perigo de atropelamento. À tarde, quando todos deixam o trabalho e querem chegar em casa, a retenção na rodovia chega até á reta do antigo Colégio Dom Bosco. E a tendência é piorar! Por que então a resistência contra a mudança? Se como está é perigoso, por que não se fazer o contorno? Arautos do apocalipse dizem que Cachoeira desaparecerá, se a rodovia deixar o centro. Mas, como, cara-pálida? Então Cachoeira não existia antes da rodovia? Existia até antes de um caminho de cabrito, precursor da estrada de terra, que evoluiu até o estágio da atual BR-356, Rodovia dos Inconfidentes. Se a teoria infeliz desses falsos profetas tivesse fundamento, Cachoeira do Campo não teria chegado nem ao século vinte, pois teria desaparecido, quando inaugurada a ferrovia, cuja estação local ficava a 14km da sede do distrito. Na época, uma importante atividade econômica cachoeirense era o “tropeirismo”, cujo declínio teve início com a chegada da ferrovia… tão distante! Pouco depois veio a República e, consequentemente, quiseram fazer desaparecer Ouro Preto mediante a mudança da capital. Nem Ouro Prero e nem Cachoeira desapareceu. Portanto, toquemos a vida, porque mudanças se fazem e coisas se acomodam!