Nem um pouco favorável, o que se espera para depois desta pandemia ninguém se arrisca a prever. Quem já não tem poderá continuar a não ter, mas não se engane quem tem e quer mais ter, ainda que à custa do sofrimento do semelhante na atual situação. Poderá de nada adiantar o salto sobre o pouco de muitos, pois a vala da derrocada poderá comportar, ao mesmo tempo, explorador e explorado de agora. A ganância de certos setores de produção e de comércio, valendo-se do momento para aumento do lucro, mediante aumento injustificado de preços, é um retrato da mentalidade retrógada e antissocial, fundamentada no famigerado jeitinho, que se agiganta por ocasião das grandes tragédias. Mas que não cerrem punhos contra estes, aqueles que não tendo tanto, pretendem tomar dos que ainda menos têm, via cadastramento para recebimento do auxílio emergencial. Também eles merecem a reprovação da sociedade, que repudia a corrupção nos meios empresariais e políticos, uma vez que pobreza não pode ser capote para a desonestidade. Verdadeiros necessitados do socorro emergencial do governo são prejudicados, no acesso ao recurso, porque espertinhos congestionam o sistema na tentativa de burlar a lei, destacando-se entre ele até presidiários. Mas, quanto a estes últimos pergunta-se: onde está o controle dos presídios?