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O Berro do Bode Zé
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Quosque tandem abutere patientia nostra? (Até quando abusarão da nossa paciência?)

Dizer que barulho em excesso – principalmente quando fora de hora – é prejudicial à saúde é chover no molhado, pois todo o mundo está careca de saber; e, se não fosse fato, não haveria leis para coibir a prática. E não haveria necessidade de tais leis, se a chamada educação de berço ainda fosse prioridade na formação social do indivíduo ou se o bom senso fosse vendido em qualquer botequim. Infelizmente, educação virou artigo fora de moda e o bom senso teve o estoque zerado. As leis existem, autoridades há com poder para cumpri-las e fazê-las ser cumpridas, mas estão ocupadas demais com questões de sobrevivência política e cobrança de impostos. Em razão disso, a barbárie assumiu seu lugar e liberou a zorra total no reino do barulho. Se reclamações resolvessem, em lugar desta nota já demais recorrente, outro assunto estaria em foco, mas…  que fazer, se o ladrão invade e o cão só teima em latir? Nas imediações da Praça Felipe dos Santos (fronteiriça à igreja-matriz), em Cachoeira do Campo/Ouro Preto, não se pode dormir sossegadamente, conforme direito de qualquer pessoa, pois um botequim, com endereço no local, não tem limites na sua “sonzeira”, até alta madrugada. A fazer concorrência com o estabelecimento, veículos dotados de tranqueira eletrônica específica para perturbação pública, nela estacionam e vomitam mais barulho. Tais veículos “zoeirentos” circulam a perturbar, impunemente, a qualquer hora do dia e da noite, embora em vigor, há dois anos, a Resolução 624/2016 do CONTRAN. — “Fica proibida a utilização, em veículos de qualquer espécie, de equipamento que produza som audível pelo lado externo, independentemente do volume ou frequência, que perturbe o sossego público, nas vias terrestres abertas à circulação.” — Elegem-se as autoridades que, por sua vez, se comprazem no aumento e cobrança de impostos, mas não cumprem seu dever de fazer cumprir as leis e respeitar os direitos do cidadão. No dia em que um doido enfezado resolver fazer, ao seu modo, o que não fazem as autoridades, dentro da lei, vão querer que ele pague por erros e omissões de todos… como ficamos?

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