Qualificar como velha ou situar na velhice uma pessoa acima dos cinquenta ou sessenta anos pode dar pano pra manga, depois que linguistas de porta de botequim entenderam que velho é sinônimo de “estragado”, “mal conservado”, “caindo aos pedaços” e compartilharam a interpretação fajuta com a patuleia. Na verdade, “velho” significa “tempo acumulado” independente do estado de conservação, considerando-se uma pessoa ou uma coisa. Mas, em lugar do respeito e da valorização humana, impõe-se a troca de um rótulo por outro, dito politicamente correto. É aí que a pessoa velha vira “idosa”; um douramento da pílula! Quanto ao resto, que tudo se dane! Para os estabelecimentos bancários há uma lei que limita a quinze minutos o tempo máximo do usuário na fila, enquanto outra dá atendimento prioritário a gestantes, deficientes físicos e maiores de sessenta anos. No princípio funcionou, mas agora relaxou! Senha prioritária existe, mas o usuário costuma ficar muito mais além dos quinze minutos – limite igual para todos – dando oportunidade até para uma soneca. Deve ser por isso que instalaram cadeiras, que deveriam ser estofadas e reclináveis para um sono mais tranquilo! Já se contaram até dez atendimentos ordinários para um prioritário. Que prioridade é essa? Tanto é verdade que alguns tiram as duas senhas e acabam sendo atendidos com a ordinária. Mas há uma velhacaria do lado de cá do balcão, que pode contribuir para o aumento do tempo de espera pelo atendimento nos bancos. Para escapar das filas, pessoas e empresas se valem dos maiores de sessenta, confiando-lhes grande volume de trabalho nos guichês bancários. Para completar o quadro angustiante, nem sempre caixas estão a funcionar e o número de ativos está reduzido ao mínimo. Assim sendo, os justos pagam pelos pecadores!