Diante do presumivelmente mal-informado, tupiniquim, ainda que não autorizado, costuma recomendar, até mesmo ordenar que aquele faça isso ou aquilo, afirmando ser regra ou imposição legal. Foi assim que muitas pessoas se apressaram em trocar sua cédula de identidade, em anos recentes. Advogados, bancários, policiais e até mesmo titular de cartório cobravam nova cédula, sob a alegação de que ela já teria superado a marca dos dez anos. Acontece que a cédula de identidade atual não tem tempo de validade, não importando que o portador seja um ancião e o documento datado de sua adolescência. Projeto chegou a ser aprovado na Câmara Federal, há alguns anos, determinando a validade de dez anos, mas foi vetado pela presidência da República, por não ter sentido a alteração, em razão de, àquela altura, estar em andamento estudos para a implantação da carteira única, nacional. Nada mudou, porém os mais realistas que o rei continuavam a fazer tutu aos incautos, dizendo que o documento podia ser recusado e tororô e tororó. Pessoas simples, com medo ficar mal perante a lei, gastaram seu suado dinheiro na troca da cédula, mas agora o governo federal põe fim à mistificação. Ninguém tem que trocar a atual cédula por outra igual, mais nova, porque o documento já sendo unificado, a começar do estado de Santa Catarina. A nova carteira poderá conter num chip todos os demais documentos pessoais, além de dados como tipo do sangue, doenças crônicas, deficiências. Segundo informações colhidas, a nova cédula terá como chave o número do CPF, que consta do registro de nascimento, a partir de 2018 e não pode se repetir. Ó caras pálidas! Parem de atazanar a vida de cidadãos com essa história de que o documento tá caduco, pois a caduquice está em outras cabeças! Quando vier a nova, ninguém precisará correr para trocar, porque a velha continuará a valer, enquanto não for trocada. A nova carteira, sim, terá validade limitada em vinte anos.