– Zezé, Zezé! Não suba aí, porque você vai cair! – É a mãe, no tempo em que ainda tinha autoridade sobre o filho, a adverti-lo sobre o perigo de se machucar, se persistisse na travessura. O garoto ri e continua a desafiar o perigo. A mãe repete a advertência, duas, três, quatro vezes, sendo desobedecida continuadamente até que perde a paciência e grita: – se você cair, além de se machucar, vai apanhar. A chinela o espera! – Parece até que foi praga, pois logo a seguir, ouve-se um barulho, seguido de berreiro de criança. Aconteceu, mas o garoto mereceu, por ter desobedecido, não ter ouvido a mãe. De forma parecida acontece o mesmo, agora, na pandemia. Várias vozes, incluindo-se a deste espaço, têm advertido o público sobre o comportamento contrário às normas estabelecidas, colocando em risco a saúde coletiva, sem se esquecer do mesmo em relação às autoridades responsáveis, que têm sido omissas ou, pelo menos, cumprido seu papel pela metade. Bandos de jovens circulam, dia e noite, aglomeram-se em reuniões e festas, sem qualquer cuidado dos exigidos para o caso da pandemia. O “fique em casa” exigido e aplicado, em outras localidades, com relação a atividades indispensáveis e com responsabilidade, deveria ser rigoroso e sem relutância com relação à circulação ociosa e recreação coletiva sem proteção. Já se denunciou isso várias vezes e a cada denúncia feita, pior fica o comportamento. O que se vê são lojas fechadas, outras com atividades restritas e fiscalização sobre o comércio diurno estabelecido, atividade essencial a qualquer comunidade. Quanto ao comercio noturno, a pura gandaia, atividade não essencial ou supérflua, a liberdade é geral. Existe um nome para essa diferenciação: INJUSTIÇA! Neste último sábado, um desses pontos noturnos promoveu festa, que se estendeu até o alvorecer do domingo. Além do perigo, presumidamente aumentado na disseminação da doença, tal atividade é um acinte à lei, um escárnio ao comerciante correto e a todos que cumprem a lei e ditames legais, no combate à pandemia. Ó caras-pálidas investidos da autoridade sobre a saúde pública! Não digam depois, que não foram avisados!