Para tupiniquins o que mais se conhece é crise econômica, podendo-se comparar o país a um barco a navegar em águas tormentosas com raros e rápidos intervalos de calmaria, ao contrário de outros países, para os quais a calmaria é uma constante, eventualmente interrompida por rápidos sacolejos provocados por ondas inesperadas. Quando a falta do “cascalho” é séria, aperta-se o cinto, esquece-se a champanha e deixa de comer caviar; vende-se o carro e anda de “busão”; passa-se a latir no fundo do quintal para economizar cachorro. Na outra ponta do problema, catam-se bagulhos inservíveis para si, porém passíveis de render alguns trocados e os passa para frente; possíveis credores, desde que não em situação pior, devem ser cutucados (cuidado! não com vara curta) e lembrados do antigo compromisso. É dessa forma que se vence, contorna a falta crucial de dinheiro, tanto no setor privado quanto no público, mas nem todos aprendem a lição, mesmo porque educação não é o forte por aqui. Pois bem, decretado o estado de calamidade financeira do Município, todo mundo tá careca de saber que a prefeitura de Ouro Preto tá quebrada, chora as pitangas depois de muito ter cantado, como a cigarra da fábula. Mas, não parece se esforçar para superar o momento, a julgar pelo comportamento da secretaria de Fazenda, setor de atendimento ao público. Dia destes últimos, contribuintes lotavam o recinto, mas no lado de dentro, dos cinco guichês de atendimento, somente dois tinham funcionário. As senhas distribuídas já se elevavam a quase cem e o atendimento andava na casa dos sessenta, mas no intervalo desses números muitas desistências tinham ocorrido. Mesmo com tais desistências fichas da casa dos oitenta só foram atendidas depois de uma hora de espera. Pergunta-se: a PMOP quer ou não quer receber dos contribuintes?