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Mariana: Unesco apresenta projeto para que Bento Rodrigues e outras comunidades sejam Museu de Território Sensível

Mariana: Unesco apresenta projeto para que Bento Rodrigues e outras comunidades sejam Museu de Território Sensível

Imagem: Reprodução / Marcos Delamore

A Unesco apresentou o projeto para tornar o território de Bento Rodrigues e de outras comunidades de Mariana (MG) em memoriais sensíveis. A iniciativa recebe o nome de “Museu do Território Atingido: do Gualaxo ao Doce” e busca preservar e dar visibilidade às histórias, práticas culturais e modos de vida, ao longo dos mais de três séculos de história, das comunidades impactadas pelo rompimento da barragem de Fundão.

Na manhã do último sábado (13), representantes da entidade internacional, lideranças sociais e políticas, e os atingidos, visitaram o sítio histórico de Bento Rodrigues e participaram do ato de peregrinação pelos espaços devastados pela maior tragédia socioambiental da história do Brasil, que completou uma década em 2025.

Durante o evento, o prefeito de Mariana, Juliano Duarte, assinou o termo de intenção de criação do museu, que valoriza a memória e a identidade local. O documento, no entanto, não prevê uma data para o início das intervenções, mas Juliano ressaltou que haverá comprometimento na realização da obra.

“Assinei o documento de intenção e caminharei lado a lado das nossas comunidades até que tudo seja transformado em realidade”, afirmou o prefeito de Mariana e presidente do Consórcio Público para Defesa e Revitalização do Rio Doce (Coridoce).

De acordo com o Governo Municipal, o custo previsto da obra é de R$ 27 milhões. A fonte de financiamento advém do novo Acordo de Reparação e o valor já foi depositado pela Samarco nos cofres públicos municipais.

O conceito apresentado para o museu não se limitaria a uma edificação, mas abrangeria todo o território atingido, integrando pontos de memória, ruínas, manifestações culturais e históricas locais. A consultora da Unesco, Cristina Simão, explicou o projeto:

“Em vez de construir um prédio, um edifício que abriga vários objetos e exposições, o próprio lugar, o próprio espaço, passa a abrigar essa ideia da memória, de mostrar o que aconteceu no rompimento da barragem, mas também o que eram esses lugares antes e o que eles são hoje.”, revelou Cristina.

A integrante da Comissão de Atingidos de Bento Rodrigues, Mônica dos Santos, destacou a importância da entrega do memorial. “Nós falamos de memória e memória não é detalhe, não é ornamento, não é passado morto. Memória é território, é identidade, é aquilo que sustenta a vida comunitária, quando tudo o mais nos é tirado. Por isso, a proposta de Museu de Território da Unesco não pode ser, apenas, um projeto cultural, precisa ser uma política de reparação, uma ferramenta de justiça”, disse.

O prefeito de Mariana informou ainda que a criação do museu é um símbolo de respeito à memória de cada vítima, de cada família, e uma tentativa de não deixar com que esse passado fique para trás.

“Agradeço a Unesco pela sensibilidade do projeto apresentado hoje, os representantes das nossas cidades regionais e comunidades atingidas, Governo Federal e lideranças políticas para união e demonstração de força dessa causa tão importante para todos nós”, concluiu Juliano Duarte.

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