Imagem: Mateus Parreiras/EM/D.A.Press/ Marcos Delamore
A disputa entre os escritórios “Pogust Goodhead (PGMBM)” e “Bailey Glasser International (BGI)” pela representação dos atingidos pelo rompimento da Barragem de Fundão, em Mariana, ganhou um novo capítulo nesta segunda-feira (12). A Justiça da Inglaterra e País de Gales decidiu que o Comitê de Clientes do Litígio de Mariana não tem autoridade legal para substituir a equipe de advogados britânica pela norte-americana na ação internacional.
A decisão impede, neste momento, que o escritório norte-americano assuma coletivamente a representação de aproximadamente 438 mil atingidos pelo desastre. A transferência era defendida pelo Comitê, que reúne representantes das vítimas.
Para ingressar no caso, o Bailey Glasser International precisará negociar contratos individuais com cada atingido. A exigência foi apontada pelo próprio Comitê como uma dificuldade operacional considerada inviável nos autos. O Pogust Goodhead também advertiu que o encerramento dos contratos em vigor sem justa causa poderá gerar multas.
A disputa entre as duas bancas começou no fim de agosto, quando o Comitê comunicou ao escritório britânico a intenção de destituí-lo. O escritório Pogust Goodhead contestou a iniciativa, alegando que o Comitê não recebeu poderes para alterar a representação jurídica dos clientes e que a escolha dos advogados é um direito individual.
Com a decisão, o Bailey Glasser International divulgou uma nota manifestando-se contrário à determinação. O escritório declarou que continuará prestando apoio na avaliação das medidas que poderão ser adotadas.
“O Comitê agora avaliará cuidadosamente, junto a seus advogados, quais medidas poderá adotar, e contará com todo o apoio do BGI nesse processo. Nosso compromisso com os atingidos e com sua luta por justiça permanece inalterado”, informou o Bailey Glasser International.
O resultado também tem repercussões financeiras para o Pogust Goodhead, que aguarda a segunda parcela de um financiamento de US$ 150 milhões contratado com uma gestora norte-americana de investimentos.
Paralelamente à disputa judicial, os dois escritórios seguem buscando apoio entre os atingidos. O BGI divulga encontros com vítimas nas redes sociais, enquanto o PGMBM acusa Thomas Goodhead, fundador e ex-sócio da banca britânica, de interferir nas decisões do Comitê.