Pode ser bem relativo o tempo que as pessoas compreendam e sintam na pele o famoso e impiedoso ditado que as condenam a terem que “matar um leão por dia”. E outros ainda ameaçam: “ou amanhã serão dois”.
Eu, depois de internalizar tal ditado capitalista antiecológico, concluí que tal leão se transfigura na metáfora de três grandes conhecidos: o dia a dia, a rotina e o cotidiano. Pois esses sim exigem que acordemos cedo, que nos preparemos para enfrentar – quer queiramos ou não – mais um dia de serviço. E que exigem também que preparemos, a certo custo ou resmungo, os filhos para irem para a escola – principalmente, nós, mulheres.
Filhos que irão para escola aprenderem justamente o quê? De que forma matemática, química, física ou histórica deverão matar seus futuros leões.
No entanto, pela data que se aproxima, e pelo cenário contemporâneo, acredito que eles aprenderão é a matar uma leoa por dia! Isso pelo nada simples fato de o sexo feminino estar se sobressaindo ao oposto. Bem como pelo fato de nós, mulheres, sermos tão responsáveis, ainda, perante a casa, perante os filhos e perante os parceiros – tudo, concomitantemente, à carreira que assumimos.
Sem machismo, sem feminismo, só observação da mudança de realidade. E o Feliz Dia Internacional será para quem?
*Jornalista e autora dos livros “As verdades que as mulheres não contam” e “Para alguém que amo – mensagens para um pessoal especial”.