Carolina Beatriz morreu após falha no “Minhocão”
Victória Oliveira
A cidade de Itabirito vive dias de tristeza e indignação após a morte de Carolina Beatriz, de 21 anos, vítima de um acidente em um parque de diversões itinerante na noite do último sábado (11). Outras três pessoas ficaram feridas. O caso segue sob investigação.
O acidente ocorreu no brinquedo conhecido como “Minhocão”, instalado no Minas Center Park. Durante o funcionamento, o equipamento apresentou problemas técnicos e parte da estrutura se desprendeu. Segundo o Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais, a jovem sofreu uma parada cardiorrespiratória traumática, causada por traumatismo cranioencefálico grave.
Equipes da Brigada Municipal e do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência foram acionadas e realizaram manobras de ressuscitação cardiopulmonar, mas a morte foi constatada ainda no local. As demais vítimas, que eram familiares de Carolina, tiveram ferimentos leves e foram encaminhadas para a UPA Celso Matos, no próprio município.
A Polícia Militar esteve presente, e a Polícia Civil, junto à perícia técnica, iniciou os trabalhos para apurar as circunstâncias do acidente. Dois homens, de 24 e 45 anos, foram conduzidos à delegacia para prestar depoimento e presos em flagrante, inicialmente pelos crimes de lesão corporal e homicídio culposo. Eles seriam o operador do brinquedo e o proprietário do parque. Atualmente, ambos permanecem presos preventivamente.
Carolina Beatriz era musicista e cantora gospel. Ela foi velada e enterrada no domingo (12), no Cemitério Parque da Esperança, em Itabirito, onde familiares e amigos prestaram as últimas homenagens. Nas redes sociais, amigos a descreveram como uma jovem carinhosa, leal, empática e cheia de sonhos.
O caso, ocorrido em uma noite que seria de lazer, gerou forte comoção entre moradores e ampla repercussão na imprensa regional e nacional, com destaque em veículos como G1, UOL e CNN.
O que dizem autoridades e partes envolvidas
Em nota, o Minas Center Park afirmou que lamenta profundamente o ocorrido, prestou solidariedade à família da vítima e declarou que adotou todas as medidas cabíveis desde o primeiro momento, incluindo o acionamento dos serviços de emergência e a colaboração com as autoridades.
“O Minas Center Park reitera que atua em conformidade com as normas técnicas e de segurança aplicáveis, mantendo rotinas de manutenção e fiscalização de seus equipamentos. A empresa seguirá colaborando com as investigações até o completo esclarecimento dos fatos”, informou em nota divulgada no próprio dia 11 de abril.
O parque vinha sendo divulgado com associação à imagem do humorista Marcelo Benny, conhecido como “Bananinha”, que tinha apresentação prevista para o domingo (12). Após o acidente, ele afirmou que não possui vínculo societário, administrativo ou operacional com o parque, prestou condolências à família e anunciou o cancelamento do show.

A Prefeitura de Itabirito também manifestou pesar e informou que o parque possuía alvará de funcionamento. “As liberações técnicas e a segurança são de responsabilidade do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais (…) A Prefeitura acompanha o caso e reforça seu compromisso com a segurança da população, adotando as providências cabíveis a partir da apuração dos fatos”, declarou.
O Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais, por sua vez, esclareceu que o local estava regular quanto à documentação de prevenção contra incêndio e pânico, mas destacou que a segurança estrutural dos brinquedos depende de laudos técnicos de responsabilidade privada e da fiscalização do poder público municipal.
Histórico do parque e preocupação de moradores
Vídeos nas redes sociais mostram o funcionamento do parque em outras cidades mineiras, como Itajubá, Lavras, Araxá e Passos, com presença de público de diferentes idades. Em Barbacena, portais locais relataram, em dezembro, um episódio envolvendo a parada brusca de um brinquedo, que teria deixado crianças feridas, uma delas em estado grave, sendo resgatada pelo SAMU.
O “Minhocão”, também conhecido como “Brocumela”, é uma das principais atrações do parque. O brinquedo é semelhante a uma mini montanha-russa, formado por carrinhos interligados em formato de trenzinho, com subidas, descidas e curvas suaves, sendo amplamente frequentado, inclusive por crianças.
No momento do acidente, havia crianças nos vagões traseiros, que foram retiradas pelos responsáveis em meio a um cenário de tensão e desespero.
Frequentadores ouvidos pela reportagem relataram apreensão com o funcionamento do brinquedo, especialmente em relação à velocidade e à inclinação em curvas. Nas redes sociais, também há comentários sobre aspectos que chamaram a atenção em outros equipamentos, como o estado das travas de segurança e a presença de ruídos altos.
Outro ponto levantado é o registro de um forte temporal com rajadas de vento na cidade na véspera do acidente, que causou danos em diferentes regiões. A possível influência das condições climáticas na estrutura do parque também poderá ser analisada.
A expectativa da população é de que o caso seja investigado com rigor, para esclarecer responsabilidades e evitar que situações semelhantes voltem a ocorrer. As investigações seguem em andamento.