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O verdadeiro preço de viver nas cidades históricas mineiras

O verdadeiro preço de viver nas cidades históricas mineiras

Marcos Delamore

Minas Gerais, conhecida por sua riqueza histórica e cultural e suas paisagens exuberantes, também abriga algumas das cidades mais caras para se viver. Em 2025, um estudo do Ipead da UFMG (Instituto de Pesquisas Econômicas e Administrativas da Universidade Federal de Minas Gerais) revelou o impacto dos preços, aluguéis e serviços no custo de vida das famílias mineiras.

O alto custo de vida em cidades como Ouro Preto e Mariana afeta diretamente o orçamento das famílias. As despesas mensais são significativamente elevadas, exigindo um equilíbrio entre a qualidade de vida e o aspecto financeiro. Nesses municípios, onde o turismo e a mineração impulsionam a economia, os gastos por habitante são mais altos do que em cidades de perfil semelhante sem mineração e grande fluxo de visitantes.

De acordo com a pesquisa, morar em cidades mineradoras custa mais do que em municípios sem mineração. O levantamento coletou e comparou milhares de preços em estabelecimentos das cidades de Mariana e João Monlevade, baseado em parâmetros de análise que apontaram para um cruzamento entre municípios de porte similar com e sem mineração. Mariana, com mineração consolidada e histórico de interrupções, e João Monlevade, polo siderúrgico sem mineração extrativa.

Confira os resultados do estudo:

● Custo de vida: Em Mariana, o custo de vida é 9,4% superior ao de João Monlevade.

● Aluguel: Em Mariana, o aluguel é 27,5% mais caro que em João Monlevade.

● Cesta básica: Em Mariana, o preço é de R$ 753,40 frente a R$ 737,19 de João Monlevade.   

Imagem: Marcos Delamore

O elevado custa de vida impacta os moradores da cidade de Mariana

Um episódio recente vivido por moradores de Mariana reacendeu um alerta para a alta no preço dos alimentos e evidenciou um cenário de complexidade financeira para quem vive na cidade. A inflação pode ter reduzido o poder de compra das famílias marianenses.

Os preços dos produtos inflacionados e cada vez mais caros limitam as pessoas a terem acesso ao básico e realizarem uma simples compra com itens importantes e fundamentais para a sua rotina.

Os salários geralmente não acompanham o ritmo econômico e nem sempre compensam o aumento nos gastos fixos dos habitantes das cidades históricas mineiras. Para se ter ideia, o que antes enchia um carrinho, hoje mal preenche meia sacola com itens de consumo básico. Uma moradora relatou ter gastado em sua última compra R$100 em apenas seis itens.

Imagem: Marcos Delamore

Desafios para moradores de Ouro Preto

Em 2026, o Governo Federal concedeu um reajuste no salário-mínimo de R$ 103,00, saindo de R$ 1518,00 para R$ 1621,00. Segundo o presidente da Associação Comercial e Empresarial de Ouro Preto, João Carlos Martins, o reajuste do salário-mínimo no Brasil é desproporcional ao custo de vida nas cidades históricas.

“O salário-mínimo, pelo próprio nome, é o mínimo para que o trabalhador viva com alguma dignidade. Mas, na prática, o que chega na mão do cidadão é pouco”, ressaltou João Carlos.

Com o aumento das despesas nas cidades históricas brasileiras, a busca por uma vida financeira equilibrada influencia em decisões de carreira e mobilidade. Muitos moradores cogitam buscar novas oportunidades em cidades com menor custo de vida para aumentar seu poder aquisitivo.

Ao passo que cresce a insatisfação e a indignação dos moradores, pode ser observado o aumento da cobrança sob os poderes Legislativo e Executivo para que as autoridades atuem em defesa da dignidade e qualidade de vida da população local.

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