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Mariana recebe ato público contra violência e feminicídio

Mariana recebe ato público contra violência e feminicídio

Imagem: Marcos Delamore/ Marcos Delamore

Após os recentes crimes de feminicídio e infanticídio na cidade de Mariana (MG), uma mobilização coletiva foi convocada e aconteceu no último sábado (7), com o lema “Marcha dos Homens contra a Violência e o Feminicídio”. Na cidade histórica, o ato ocorreu na Praça Minas Gerais.

A concentração foi realizada no Centro de Convenções, tradicional local de participação popular nas decisões públicas. A passeata seguiu até a Praça Minas Gerais, nas proximidades da Câmara Municipal, no centro de Mariana.

O vereador Pedro Sousa (PV), um dos idealizadores do evento, junto ao PV Mulheres, ressaltou a importância da mobilização. “A nossa cidade viveu uma tragédia que abalou todo o país. Isso não pode ser tratado como mais um caso isolado e não deve ser normalizado. Nenhum tipo de violência pode e deve ser aceito. Mariana diz não à violência e sim à vida”, afirmou.

A Pesquisa Nacional de Violência Contra a Mulher, realizada pelo DataSenado e divulgada em novembro do ano passado, indicou que 3,7 milhões de mulheres brasileiras sofreram algum tipo de violência doméstica ou familiar em 2025. Dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), do Ministério da Justiça e Segurança Pública, reforçam esse número e revelam que Minas Gerais registrou 139 feminicídios em 2025.

Wanda Alvimar, tia de Larissa Maria de Oliveira, vítima de feminicídio, expôs a dor de perder uma familiar e fez um depoimento sobre a situação vivida por muitas mulheres brasileiras. “Por favor, mulheres, não se calem. Peçam ajuda. O nosso silêncio vai trazer mais vítimas para o Brasil e para o mundo inteiro”, declarou.

Um Projeto de Lei, de autoria do parlamentar Pedro Sousa, foi protocolado na Câmara Municipal de Mariana para instituir o dia 3 de fevereiro como o Dia Municipal da Mobilização dos Homens pelo Fim da Violência contra a Mulher.

O ato foi marcado por referências a dois casos registrados nesta terça-feira (3): o feminicídio de Larissa Maria de Oliveira, de 23 anos, e o infanticídio de sua filha, Maria Fernanda Oliveira Gomes, de 2 anos, em Mariana. O companheiro da mulher e pai da criança, Felipe Gomes Cordeiro, de 24 anos, é o principal suspeito e foi preso.

Em setembro de 2025, Mariana foi o primeiro município de Minas Gerais a receber um núcleo especializado de combate à violência contra a mulher. O Núcleo Especial de Atendimento à Mulher (NEAM) da Polícia Civil está situado na Avenida Getúlio Vargas, no centro histórico da cidade. A unidade, especializada em casos de violência de gênero e composta por profissionais capacitados em promover dignidade, segurança e cidadania, atende casos de violência doméstica, sexual e patrimonial.

Para a subsecretária de Segurança de Mariana, Raquel, o ato foi mais do que simbólico: foi um posicionamento. “Um posicionamento de uma comunidade que não aceita mais, uma comunidade que quer lutar em prol das mulheres. Não deixe de denunciar. Denuncie através do 153, 190 ou 180”, frisou.

O ato pacífico pretendeu ser um manifesto público contra o aumento dos casos de feminicídio e outras formas de violência contra as mulheres. O movimento busca alcançar maior visibilidade e cobrar políticas públicas de enfrentamento à violência de gênero.

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