Victória Oliveira
O artesanato itabiritense chega à Julifest 2026 em um momento de fortalecimento e consolidação. Reunidos na Associação Encontro das Artes, os artesãos ocupam a Casa do Artesão durante toda a programação oficial da festa, apresentando um espaço mais estruturado, novos projetos coletivos e uma produção que valoriza a cultura, a sustentabilidade e a identidade de Itabirito.
A presença dos artesãos na Julifest acompanha a história do próprio evento. Desde a primeira edição, eles participam da festa, inicialmente ocupando barracas de gastronomia. Com a reorganização dos espaços, que passaram a ser destinados exclusivamente às associações de bairro, o grupo conquistou um espaço próprio para expor e comercializar seus trabalhos. Hoje, instalada ao lado da Casa dos Doces, a Casa do Artesão se tornou um dos pontos tradicionais da programação, reunindo dezenas de artistas e uma grande diversidade de peças produzidas no município.
Para a presidente da Associação Encontro das Artes, Gislaine Muniz, a edição de 2026 marca uma nova etapa desse trabalho coletivo. Além do bom número de vendas, que segundo Gislaine alcançaram a meta estabelecida para o evento, o destaque está nas novidades apresentadas ao público.
“Neste ano a gente vem reforçando a proposta dos trabalhos coletivos. Então, a gente apresenta o Rebanner, que é o reaproveitamento do banner. O que seria descartado, na nossa mão se transforma em arte. Temos também o Segunda Trama, que é o reaproveitamento dos uniformes de mineradora e o reaproveitamento de tecidos, além de muitas lembrancinhas, as coleções de inverno e também com uma gama muito grande de produtos”, explicou a artesã.
Os projetos unem sustentabilidade, economia criativa e geração de renda para os artesãos itabiritenses. Materiais que antes seriam descartados passam a ganhar novos significados por meio do trabalho manual, transformando resíduos em peças de decoração, utilidades e acessórios. São projetos que já vinham sendo desenvolvidos ao longo do novo ciclo após a edição de 2025 e já foram inclusive reconhecidos em grandes feiras, como a Expo Favela 2026.
Outra novidade é a coleção de inverno, composta por gorros, cachecóis e outros itens confeccionados artesanalmente, ampliando as opções para quem visita o espaço durante o período mais frio do ano.
Mas, entre tantas criações, um elemento continua sendo protagonista: o pastel de angu, patrimônio imaterial de Itabirito, que inspira uma coleção exclusiva de produtos. “A coleção Pastel de Angu, que é a nossa joia gastronômica, não pode faltar.”, conta Gislaine.
A homenagem ao tradicional quitute aparece em formato de almofadas ou estampadas bolsas, tapetes, caminhos de mesa, toalhas e diversos outros produtos, transformando um dos maiores símbolos da gastronomia local em lembranças que carregam a identidade do município e despertam a curiosidade dos visitantes.
A variedade também é um dos diferenciais da Casa do Artesão. Há desde pequenas lembranças com preços acessíveis, a partir de R$5 e R$10, até peças exclusivas e mais elaboradas, produzidas artesanalmente e com alto valor agregado.
Mais do que reunir diferentes técnicas e estilos, a Associação Encontro das Artes demonstra a força do trabalho coletivo. Além do talento de cada artesão, quem visita o espaço encontra atendimento acolhedor, histórias sobre a cultura local e a oportunidade de conhecer um artesanato que preserva tradições e valoriza quem vive desse ofício.
Segundo Geslaine, esse reconhecimento também pode ser percebido na relação do público com as peças expostas. “O pessoal de Itabirito sempre valoriza o trabalho artesanal com orgulho, porque eles se identificam nas peças. Eles veem uma casinha, veem um patrimônio, reconhecem essa identidade. E a gente recebe muitos visitantes e os elogios também sempre nos enchem de orgulho. Recebemos o pessoal da Região Metropolitana de BH, da Região dos Inconfidentes, e é um prazer receber a todos.”

Mais do que um espaço de vendas, a Casa do Artesão reafirma, nesta Julifest, o papel do artesanato como expressão da história, da cultura e da memória de Itabirito. Uma evolução construída ao longo dos anos que fortalece não apenas a associação, mas também os artistas que transformam criatividade, tradição e identidade em obras feitas à mão.