Imagem: Rodrigo Câmara/ Marcos Delamore
Morreu no último domingo (8/2), aos 69 anos, em Ouro Preto, o fotógrafo Eduardo Tropia, nome central na história da fotografia ouro-pretana e brasileira. Sua obra se destacou pela técnica apurada, sensibilidade estética e olhar atento à identidade e à memória cultural da Cidade Patrimônio Mundial e do estado diamante. A causa da morte não foi informada.
Eduardo Augusto Magalhães Tropia nasceu em Pedro Leopoldo, Minas Gerais, em 1956. Em mais de cinco décadas de carreira, dedicou seu olhar a captar momentos históricos, as belezas da natureza ouro-pretana, manifestações culturais e o patrimônio histórico, deixando um legado em imagens que atravessaram fronteiras e eternizaram Ouro Preto no mundo.
Com fortes traços e influências familiares na fotografia e no cinema — pelo pai, Milton Tropia, e pelo avô, Salvador Trópia, fundador do Cine Vila Rica — tornou-se um apaixonado pelo meio. Com uma câmera na mão e um olhar à frente de seu tempo, redesenhou Ouro Preto, seu principal território de criação, com nitidez, precisão e sentimento.
Premiado e celebrado nos quatro cantos do mundo, Eduardo Tropia alcançou fama internacional por suas extraordinárias composições, que renderam condecorações importantes, com destaque para a 6th Jinan International Photography, bienal de fotografia na China, e Ruas de Minha Vida, exposta na cidade de Lagos, em Portugal, durante o Cineport 2006.
No Brasil, integrou por quase duas décadas o coletivo Olho de Vidro, direcionado à fotografia autoral e à produção “fine art”, e atuou como repórter fotográfico da revista IstoÉ e do jornal O Tempo. Seus trabalhos também foram publicados em diversas revistas, como Los Angeles Times Magazine, National Geographic e Casa Cláudia. Seu acervo pessoal e suas contribuições visuais permanecem em Ouro Preto, na Casa Alphonsus, casarão histórico vinculado ao poeta Alphonsus de Guimarães, no qual divide espaço com trabalhos artesanais produzidos pela família.
Após anos fortalecendo a cultura fotográfica do município e do estado, Eduardo Tropia deixa como legado sua forma singular e sensível de ver e enquadrar o mundo.
A Prefeitura de Ouro Preto publicou uma nota de pesar lamentando a morte do fotógrafo. “Neste momento de dor, a Prefeitura de Ouro Preto se solidariza com familiares, amigos, colegas de profissão e com toda a comunidade cultural ouro-pretana, reconhecendo a importância de Eduardo Tropia para a história, a identidade e a memória da cidade”, afirmou.