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Samarco bate recorde pós-retomada, mas 2026 será o verdadeiro teste

A Samarco encerrou 2025 com o maior volume de produção desde a retomada das operações: 15,11 milhões de toneladas de pelotas e finos de minério, embarcadas em 140 navios pelo terminal de Ubu (ES). O desempenho coloca a empresa entre as três maiores exportadoras globais do setor e reforça a estabilidade do processo produtivo, que já soma 50,52 milhões de toneladas desde dezembro de 2020.

O presidente Rodrigo Vilela classificou o ano como decisivo para “corrigir rotas” e dobrar a capacidade produtiva. Mas o discurso otimista convive com a pressão crescente por resultados na reparação socioambiental — área em que 2026 será determinante.

Novo Acordo do Rio Doce: metas apertadas e cobranças maiores

Após a homologação do Novo Acordo do Rio Doce pelo STF, em 2024, a empresa destinou R$ 22,8 bilhões em obrigações diretas até o fim de 2025, incluindo R$ 16,67 bilhões em indenizações para mais de 353 mil pessoas. Outros R$ 10,9 bilhões foram repassados a estados e municípios.

No campo ambiental, a mineradora afirma ter protegido 45,5 mil hectares (91% da meta) e recuperado 4,3 mil nascentes (86%). Ainda assim, o desafio permanece gigantesco: o acordo prevê R$ 170 bilhões ao longo de 20 anos, e a sociedade cobra resultados mais visíveis.

Expansão bilionária e promessa de mineração “sem barragens”

A empresa opera hoje com 60% da capacidade e planeja chegar a 100% até 2029, sustentada por R$ 13,8 bilhões em investimentos. A promessa é de um ciclo de crescimento baseado em filtragem e empilhamento a seco, sem novas barragens — um compromisso que será observado de perto, especialmente com a barragem de Germano em fase final de descaracterização.

Emprego e desenvolvimento regional: números robustos, impacto a confirmar

Com 20,5 mil trabalhadores diretos e terceirizados, a Samarco reforça a contratação local: 75,9% dos admitidos em Germano e Mariana são moradores das comunidades vizinhas; em Ubu, 67,4%. Programas como Cursos para Comunidade e Força Local ampliaram a qualificação profissional e o apoio a fornecedores, somando R$ 5,1 bilhões em contratações regionais desde 2020.

Os números impressionam, mas a pergunta permanece: quanto desse investimento se traduz em transformação estrutural e duradoura para as cidades atingidas?

O ano que definirá o futuro da reparação

Em 2026, a empresa promete concluir as portas indenizatórias, entregar obras em Novo Bento Rodrigues e avançar no reflorestamento da Bacia do Rio Doce. O reconhecimento do Innovare ao modelo de repactuação dá legitimidade ao processo, mas não reduz a responsabilidade.

A Samarco tenta equilibrar expansão produtiva e reparação definitiva — duas frentes que caminham juntas, mas que serão julgadas por critérios distintos: eficiência econômica de um lado, justiça social e ambiental do outro.

O próximo ano mostrará se a mineradora está, de fato, pronta para entregar ambos.

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