Mauro Werkema
O mundo em veloz transformação, processo do qual não escapa o Brasil, e com singularidades próprias de um país emergente, está a exigir de cada um e todos nós atenção e observação redobradas para nos situarmos nestas novas realidades, demandas e até condicionantes para a própria vida. É imensa, e cada vez mais surpreendente, a lista das mudanças em curso, em processo contínuo e abrangente. E que alcança modos de vida, métodos de trabalho e de informação, sistemas diversos que integram o viver diário — na alimentação, no lazer, no acompanhamento diário da própria evolução dos valores da conduta para a saudável convivência, no uso dos instrumentos e aparelhos criados, em contínuo processo, para o dia a dia de todos nós inseridos nestes inovadores processos do viver.
As surpresas cada dia se apresentam como desafios e, de uma maneira geral, nos obrigam a estar atentos, mesmo minimamente, para obtermos condutas de adaptação perante realidades em transformação. Alguns exemplos mais comuns se revelam no próprio trabalho — quaisquer deles — pelas mudanças trazidas pela tecnologia da informação, internet, computadores e telefones pessoais, sistemas de informação e registro, a extraordinária oferta de informações do dia a dia em quaisquer ramos, na gestão da própria casa, compras, trânsito, trabalho, educação, busca de informações e muito mais; administração empresarial, com a rápida ampliação de ofertas, vantagens e oportunidades de tudo e para todos. E com amplitude crescente, a todo instante, ofertadas como oportunidades.
Os enigmas do mundo contemporâneo são muitos, carregados de incertezas. A crise climática, que pode limitar a vida no planeta e que já se mostra próxima, é a mais perturbadora do mundo atual — e com curto prazo. O avanço da Inteligência Artificial, excepcional e surpreendente, assusta e apresenta desafios, mas impõe, a muitos, a necessidade de atenção e aprendizagem — e nem sempre fácil para os mais velhos. E o Brasil está a exigir atenção, em ano eleitoral, em meio a uma bipolaridade ideológica que acaba não servindo bem ao País e empobrecendo o debate sobre os muitos desafios que deveriam pautá-lo. Questões como segurança pessoal e patrimonial, combate à criminalidade crescente e assustadora, melhoria da saúde pública, da educação, do desenvolvimento econômico, geração de empregos acabam perdendo prioridade e objetividade. Prevalece, entre os políticos, o interesse pessoal e a reeleição.
O mundo atual nos apresenta várias questões. Até onde vão as guerras atuais, como EUA, Israel e Irã, e seus perigos para o mundo? E entre Rússia e Ucrânia? E como fica a ONU como parlamento para a paz e o diálogo entre as nações? E o abastecimento de petróleo e gás, essenciais para o mundo? E os Brics? E o já discutido declínio dos EUA com os destemperos de Donald Trump? E a presença crescente da China, Índia e Rússia, que já alteram a geopolítica mundial? E o futuro da Venezuela e de Cuba? E os crescentes gastos com rearmamento mundial, com a nova guerra espacial de mísseis e drones? E, no Brasil, os assustadores números de feminicídios e da misoginia? E como conter o crime organizado que se estende pelo País? E, com a urgência necessária, recuperar o respeito e o prestígio do Supremo Tribunal Federal, como também dos Poderes Legislativo e Judiciário? E conter hegemonias e implantarmos o multilateralismo mundial com base no diálogo e na cooperação?
Devemos esperar que o debate eleitoral para a Presidência da República e governos estaduais se realize com temas e conteúdo de interesse público. Esperamos que entrem nos debates temas como reduzir o custo dos alimentos, dos remédios, dos serviços públicos. Esperamos que os escândalos e crimes do Banco Master sejam plenamente elucidados e apresentados à opinião pública — e com todos os nomes, ladrões e fraudadores, de qualquer espécie ou importância, com penalização também das instituições envolvidas, especialmente as que têm responsabilidade na fiscalização do mercado de capitais. E que falharam. Só apuração rigorosa e punição exemplar dos criminosos poderá restaurar confiabilidades, moralidades e credibilidades. E, se possível, que 2026 seja um bom ano.