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Entretenimento – Dadas as devidas proporções

Valdete Braga

Há séculos, na Roma Antiga, existiam os gladiadores, escravos que eram forçados a lutar até a morte. São retratados em filmes que impressionam pela selvageria dos povos daquela época. 

As lutas aconteciam nas arenas e eram públicas, um “divertimento” oferecido ao povo, que comparecia em massa, apostando nos seus preferidos e torcendo para que estes vencessem, matando o adversário e sobrevivendo para as próximas lutas. 

Autoridades e gente comum assistiam aos combates e, enquanto dois seres humanos lutavam para sobreviver, o povo gritava, em êxtase, aguardando a morte de um deles; e, quando acontecia, comemoravam o final daquele “entretenimento” com berros e palmas, voltando para casa como quem retorna de uma festa. 

Nos dias atuais, não conseguimos sequer imaginar viver em uma época assim. Tantos séculos depois, no segundo milênio, isso se tornou irracional. 

Hoje, civilizados, não usamos mais espadas, matar um semelhante é crime e a escravidão foi abolida há muito tempo. Hoje, a sociedade evoluiu e temos leis a serem cumpridas. Hoje, dois mil anos e alguns séculos após a era dos gladiadores, os anfiteatros romanos são pontos turísticos da Itália, e essa fase ficou para trás, em um passado brutal. 

Sim, o retrato dessa época ficou para trás. O mundo é outro, a sociedade é outra, nós somos outros. Em nossa época, é inadmissível pensar na brutalidade das arenas e mais inadmissível ainda que isso um dia possa ter sido visto como entretenimento para o público. 

Hoje nos divertimos de outras formas. Temos TV, internet, redes sociais… 

Ah… hoje existe um tipo de entretenimento que muitos, muitos mesmo, curtem e aplaudem de pé. Hoje, civilizados, podemos nos divertir sem sair de casa, com um tipo de entretenimento moderno, atual, oferecido e consumido pelo ser humano civilizado, séculos e séculos depois da selvageria aqui relatada. 

São os reality shows. Neles, várias pessoas são confinadas em uma casa, onde lutam por um prêmio. Passam por provas que os levam ao limite, situações que os fazem brigar entre si, e o público decide, sem sair de casa, através da tela, quem é eliminado da casa, até que, ao final do programa, fique só um, e este ganhe o prêmio. 

Hoje somos desenvolvidos, não frequentamos arenas, não usamos espadas ou escudos, não saímos de casa para torcer para que uma pessoa viva e outra morra. Hoje, do conforto de nosso sofá, assistimos a provas das mais diversas, que levam os participantes ao limite físico e mental. Hoje não gritamos para apoiar o gladiador que queremos ver acertar a espada no coração do oponente; hoje clicamos no nome do participante que queremos tirar do programa. 

Dadas as devidas proporções, será o entretenimento atual tão diferente?

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