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A magia da “virada”

Valdete Braga

Aproxima-se, em passos rápidos, o final do ano. Em uma semana será Natal e em seguida os festejos da “virada”, celebrando mais um ano que se inicia.

Existe uma magia meio boba, mas deliciosa, na virada. A gente pula sete ondas, escolhe a cor da roupa com cuidado e come lentilhas e romã. É científico? Provavelmente, não. É necessário? Com certeza, sim. A esperança de que o novo ano será melhor é combustível para as nossas melhores expectativas.

Racionalmente, sabemos que o sol nascerá no dia primeiro da mesma forma que nasceu no dia anterior e no anterior antes dele. A física não se altera, os problemas não acabam, mas precisamos do sentimento de recomeço, e é nele que depositamos nossas pretensões de um mundo melhor.

O Ano Novo chega com cheiro de novidade, com gosto de novos planos e com a certeza de que ainda há muito por viver. Ele não garante milagres, mas nos dá a oportunidade de buscá-los, e talvez seja justamente esta oportunidade que nos mantém de pé, olhando para a frente e acreditando no futuro.

Não existe mágica no calendário, mas a gente insiste em acreditar que sim, e talvez seja esta teimosia que nos salva. O ano que passou pode ter sido pesado, cheio de tropeços e dias cinzentos, mas basta o réveillon para que a esperança se instale de novo. Não será isto uma mágica?

Quando o relógio mostra meia noite do dia trinta e um para primeiro, aos gritos de “feliz ano novo”, abraços se multiplicam, promessas são feitas, e até os mais céticos se permitem sonhar. O ano novo, ainda que na prática possa ser visto apenas como um dia a mais no calendário, simbolicamente representa um grande recomeço coletivo.

É o momento em que o mundo inteiro parece segurar o mesmo fôlego, ao mesmo tempo, em todo o Planeta. Taças tilintam, pessoas se abraçam, músicas tocam.

Neste clima, corações se aceleram, acreditando que o que virá será melhor do que o que já passou. Aí voltamos na palavra que pauta a virada: esperança, esta teimosa e maravilhosa companheira, que insiste em nos lembrar que sempre há espaço para o inesperado, para o bom, para o novo.

E assim seguimos, ainda que por um momento, todos juntos, unidos entre promessas e planos, entre sonho e realidade.

Este é o sentido da virada. No fundo, cada réveillon é um convite: o de acreditar que o amanhã pode, sim, ser melhor. E este convite, ninguém recusa.

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