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Mensagens com ameaças de morte e ataques preconceituosos circulam em grupo de alunos do IFMG em Ouro Preto; instituição se posiciona

Mensagens com ameaças de morte e ataques preconceituosos circulam em grupo de alunos do IFMG em Ouro Preto; instituição se posiciona

Mensagens em tom de ameaças e referências explícitas à violência e ataques LGBTfóbicos foram compartilhadas em um grupo de WhatsApp, atribuído a alunos do Instituto Federal de Minas Gerais (IFMG), em Ouro Preto. A direção do campus registrou ocorrência e encaminhou o material à Polícia Federal (PF).

Entre as imagens compartilhadas está a de um revólver apontado para o símbolo do movimento LGBT, acompanhada da frase “CURA PARA LGBT”.

O conteúdo também inclui uma enquete com a pergunta “O que fazer com petista?”. As alternativas oferecidas aos participantes incluem “Queimar vivo”, “Cortar o pescoço” e “Cortar um dedo”. Em outra mensagem, um integrante menciona a possibilidade de “fuzilamento”.

Além das ameaças, as conversas fazem referência a uma manifestação programada para sexta-feira (9), em Ouro Preto. Conforme mostram as imagens, participantes discutem uma possível “sabotagem” ao ato político “Mobilização pela Democracia”, que terá concentração às 17h, no campus da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP).

A repercussão chegou também à administração municipal. O diretor de Promoção Social da Prefeitura de Ouro Preto, Victor Pinto, relatou ter sido alvo de ameaça de morte e LGBTfobia e registrou o caso junto às autoridades competentes. Ele informou ainda que solicitou reforço policial e da Guarda Municipal para a manifestação.

O deputado federal Padre João (PT) e o deputado estadual Leleco Pimentel (PT) acionaram a Polícia Federal (PF) para pedir a investigação das mensagens. No ofício, os parlamentares apontam indícios de intimidação político-eleitoral, incitação à violência e ameaças contra as comunidades acadêmicas do IFMG, da UFOP e da UFMG. A deputada Bella Gonçalves (PT), os representantes do Poder Legislativo de Ouro Preto Kuruzu (PT) e Wemerson Titão (PT) também se posicionaram em apoio aos denunciantes.   

Representação estudantil se manifesta

A Chapa Inconfidente, representação estudantil, também se manifestou e convocou a comunidade acadêmica para participar do ato. Segundo a entidade, as mensagens foram direcionadas a alunos, ex-alunos, professores e servidores.

“Esses ataques são contra diversos alunos e alunas. Houve discursos odiosos, ameaças de morte e agressão contra mulheres, judeus, LGBT’s e pessoas que possuem um posicionamento político diferente do deles. Isso extrapola pensamentos políticos: é um CRIME contra os direitos humanos”, diz a nota de repúdio publicada pelo coletivo.

Investigação

Em nota divulgada nesta quarta-feira (7), o IFMG informou que os estudantes já identificados serão chamados para prestar esclarecimentos e poderão responder a procedimentos internos. Os responsáveis legais pelos alunos também serão notificados.

A direção informou ainda que acionou órgãos de segurança pública estaduais para apurar eventuais responsabilidades.

O instituto ressaltou que o grupo não é um espaço oficial do campus e afirmou que não compactua com violência, ameaças ou discursos de ódio. A orientação é para que pessoas que tenham se sentido ameaçadas procurem as autoridades e evitem confrontos.

Confira a nota oficial do IFMG Ouro Preto:

“Diante de fatos recentes envolvendo a circulação, em ambiente virtual, de mensagens de teor violento e incompatíveis com os valores que orientam a convivência institucional, a Direção-Geral do IFMG Campus Ouro Preto informa que as medidas administrativas e legais cabíveis já estão sendo adotadas, com responsabilidade, celeridade e observância da legislação vigente.

Entre as providências já adotadas pela instituição estão o registro de boletim de ocorrência e o encaminhamento de denúncia à Polícia Federal, além do acionamento dos órgãos de segurança pública das esferas estadual e federal, para conhecimento dos fatos, adoção das providências pertinentes e apuração de eventuais responsabilidades.

Os estudantes já identificados serão chamados a prestar os esclarecimentos necessários e responderão aos procedimentos cabíveis, nos termos das normas institucionais e da legislação aplicável. Seus responsáveis legais também serão comunicados e chamados a acompanhar os encaminhamentos pertinentes.

A situação ultrapassa os limites da convivência institucional e exige, de toda a comunidade, uma postura coletiva de respeito, cuidado e responsabilidade. Qualquer pessoa que se sinta ameaçada ou que tenha sido diretamente afetada pelos fatos é orientada a buscar seus direitos junto às autoridades competentes.

A Direção destaca que, embora o grupo criado em aplicativo de mensagens utilize o nome do IFMG, não se trata de um espaço institucional ou canal oficial. Seu conteúdo não representa o posicionamento da instituição, que não compactua com manifestações de violência, ameaças, intimidação ou discurso de ódio.

O Campus Ouro Preto reafirma seu compromisso inegociável com os princípios democráticos, a dignidade humana, o respeito à diversidade de ideias, a liberdade de expressão e os direitos de todos os membros de sua comunidade acadêmica.

Compreendemos a escola pública como espaço de formação, diálogo, convivência plural e exercício da cidadania. Por isso, divergências políticas, ideológicas ou de qualquer outra natureza devem ser tratadas dentro dos limites do respeito, do debate democrático e da convivência civilizada, jamais por meio de ameaças, intimidações, violência ou discursos de ódio.

A instituição seguirá atuando para garantir um ambiente em que estudantes, servidores e demais integrantes da comunidade acadêmica possam expressar suas ideias, participar da vida institucional e exercer seus direitos com segurança, liberdade e respeito mútuo.

A Direção do Campus solicita, ainda, que toda a comunidade acadêmica mantenha a serenidade e aja com responsabilidade diante da situação, evitando iniciativas precipitadas, confrontos, exposições indevidas, disseminação de informações não verificadas ou qualquer atitude que possa ampliar as tensões. O momento exige prudência, respeito e confiança nos procedimentos institucionais já adotados, para que os fatos sejam devidamente apurados e tratados pelas instâncias competentes”.

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