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O Liberal entrevista Júlio Pimenta, ex-prefeito de Ouro Preto e candidato a deputado estadual

O Liberal entrevista Júlio Pimenta, ex-prefeito de Ouro Preto e candidato a deputado estadual

Imagem: Júlio Pimenta/Arquivo pessoal/ Marcos Delamore

O Liberal recebeu, nesta terça-feira (15), o ex-prefeito de Ouro Preto, Júlio Pimenta (MDB), candidato a deputado estadual por Minas Gerais

Em entrevista ao jornal O Liberal, o candidato a deputado estadual Júlio Pimenta (MDB) falou sobre projetos que pretende apresentar na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).

Vereador de Ouro Preto por dois mandatos, de 2005 a 2008 e 2009 a 2012, Júlio Pimenta exerceu a presidência da Casa Legislativa e é o vereador mais votado de todos os tempos no município, com 2.155 votos. Nas eleições municipais de 2016, disputou a Prefeitura Municipal e foi eleito, com 20.770 votos. Durante sua passagem pela administração municipal, ele também atuou como secretário municipal de Obras.

Júlio Ernesto de Grammont Machado de Araújo, mais conhecido como Júlio Pimenta, nasceu em Ouro Preto, no interior de Minas Gerais, em 1973. Filho de Anna Pimenta, e de família tradicional ouro-pretana, o candidato possui formação em Técnico Industrial, Engenharia Civil e pós-graduação em Administração Pública.

Depois de deixar a Prefeitura Municipal, Júlio Pimenta busca uma vaga no Legislativo estadual. Na conversa, ele relembra os principais momentos da trajetória profissional e política e apresenta as expectativas para a próxima disputa eleitoral. Confira a entrevista completa:

O LIBERAL: O que o levou a entrar na vida pública e a disputar seu primeiro cargo político? Como foi esse início, quais experiências foram mais marcantes e o que o senhor aprendeu naquele período que ainda considera importante para a sua atuação política hoje?

JÚLIO PIMENTA: Comecei na vida pública quando fui presidente do Ouro Preto Tênis Clube (OPTC), um clube conceituado na cidade de Ouro Preto. Conseguimos fazer um excelente trabalho, junto a uma equipe muito boa, por dois biênios. Nesse momento, despertou o meu interesse de servir a vocação pública. Fui candidato a vereador pela primeira vez no ano de 2004. Ocupei a Secretaria Municipal de Obras por dois anos, entre 2005 e 2006. Posteriormente, retornei à Câmara, sendo reeleito e o mais votado, com 2.155 votos, quando ocupei a presidência da Câmara Municipal. Inclusive, essa votação ainda não foi superada.

OL: Depois de sua experiência na política municipal, o senhor decidiu agora disputar uma vaga na Assembleia Legislativa. O que motivou essa decisão?

JP: Eu tive dois motivos, um de ordem pessoal e outro profissional. O primeiro diz respeito a servir a comunidade. Pela minha experiência, sinto que posso servir muito à causa pública. Uma coisa que me inspira muito é servir as pessoas, eu gosto de atender, conversar e trocar ideias. Acho que posso dar uma contribuição grande. Quero manter um canal direto com as comunidades do nosso estado. O segundo fator se refere a servir o meu Estado e minha região. Me senti na obrigação de representá-los. Espero que sejam eleitos, novamente, dois ou três candidatos da nossa região. Vamos representar toda a Minas Gerais.

OL: Como o senhor avalia o momento vivido atualmente pelos municípios da Região dos Inconfidentes e quais considera serem as principais demandas da população?

JP: Há uma falta de preocupação com as futuras gerações. Tenho preocupação com a geração de emprego e renda, abertura de empresas, incentivar os produtores locais, pensar melhor a economia e a qualidade de vida da população. Hoje, a maior arrecadação do município ainda é a mineração. O turismo emprega mais, mas arrecada menos para os cofres públicos. Cada município tem sua vocação de renda. Alguns têm a agropecuária, a questão rural, têm a indústria, turismo, e outros têm a mineração. Alguns tem quase tudo. Isso tem que ser feito com critérios, planos de negócio, planejamento específico em parceria com as universidades federais, com órgãos competentes para buscar a vocação de cada município, de cada localidade e incentivá-los, seja com parcerias com iniciativa privada, pequenos comércios, pequenos produtores, com o governo do Estado, governo federal, até mesmo com a própria população, em alguns casos.

A maioria das cidades de Minas tem a questão da moradia, segurança, transporte público e saneamento básico como prioridade e isso é fundamental. Nenhum município pode ficar sem saneamento básico até 2033. Em Minas Gerais, a maioria dos municípios tem. Os mais atrasados eram Ouro Preto e Mariana. Ouro Preto avançou. Mariana tem muito problema ainda e, querendo ou não, vai ter que tomar uma atitude enérgica também para sanar isso. Pretendo levar essa discussão para os municípios mineiros em que as tarifas cobradas são altas e tem que ser revistas, para poder atender a população com justiça e ampliar as tarifas sociais.

No transporte público, os ônibus têm que ser novos, com acessibilidade, elevador, terminais de integração, e a tarifa reduzida, em alguns casos a Tarifa Zero. No caso específico da Região dos Inconfidentes, eu tenho uma preocupação e quero levar para a Assembleia Legislativa com relação à duplicação da rodovia 262, que leva Ouro Preto até a capital. A duplicação proporcionaria mais segurança a todos, com uma tarifa justa, com atendimento de socorro, sinalização adequada, pavimentação adequada para os turistas, e, principalmente, os munícipes poderem trafegar pela rodovia, que atualmente enfrentam uma estrada precária.

Outra proposta seria a reativação de ferrovias. Uma delas é a ferrovia que liga a capital a Ouro Preto, com o transporte de passageiros e turístico também. Eu acho que isso é uma discussão e um projeto importante para ser retomado e viável, talvez no médio e longo prazo.

OL: A partir de uma eventual atuação na Assembleia Legislativa, que medidas e políticas o senhor acredita que poderiam ser articuladas para fortalecer as cidades da região e ampliar os investimentos em áreas como saúde, infraestrutura, educação, segurança e desenvolvimento econômico?

JP: Tudo isso é uma preocupação nossa. Saúde, segurança pública, transporte, mobilidade urbana, tratamento com os animais, cães e gatos e outros animais, a questão das casas populares, o saneamento básico. Enfim, as várias ações que um representante público, seja presidente, governador, prefeito, ou seja um do Legislativo, vereador, deputado estadual, deputado federal, senador, tem que ter essas preocupações.

Essa minha experiência do Legislativo e do Executivo Municipal me dá condições de assumir uma vaga na Assembleia Legislativa para fiscalizar o Governo do Estado e também propor leis já ampliadas para os outros municípios de Minas Gerais, como fiz em Ouro Preto. Vamos propor leis com dimensões maiores e específicas para o estado e em prol dos municípios. Busco também compreender as questões do Executivo estadual e do governador com relação ao orçamento, a aplicação do recurso público, emendas parlamentares e a destinação para os municípios. Então, eu tenho essa experiência que quero levar para a Assembleia Legislativa.

Temos que trabalhar em prol disso, seja fiscalizando, no caso Legislativo, ou executando, no caso do Executivo. 

OL: Qual é a sua avaliação sobre o momento atual de Minas Gerais? Como o senhor enxerga a situação das contas públicas, os investimentos do Estado e a capacidade do governo de atender às demandas dos municípios e da população?

JP: As informações que temos é de que o Estado está quebrado financeiramente. Isso tem que ser analisado, tem que ser fiscalizado. Precisamos saber quanto o Estado arrecada, quanto que o Estado gasta com o seu custeio, quais são as despesas fixas. Não podemos deixar as cidades ficarem atrasadas no seu progresso, no seu desenvolvimento e na qualidade de vida da população.

Como tenho uma posição independente, quero levar essa independência para o governo do Estado, seja quem for o próximo governador ou seja quem for meus pares na Assembleia Legislativa. O que for bom e o Estado executar, vamos apoiar. O que for ruim, vamos criticar e fiscalizar com total imparcialidade, dando transparência e fiscalizando todas as ações do governo do Estado. Eu espero que nunca mais ocorra isso de não haver repasse para os municípios. Isso não é favor do governador, isso é obrigação constitucional e isso é o mínimo. O governo do Estado poderia aplicar melhor seus recursos.

OL: Em sua atuação como vereador, quais foram as principais pautas e projetos que o senhor defendeu? Há alguma iniciativa daquele período que o senhor considera especialmente importante para a cidade e que gostaria de destacar?

JP: Durante minha passagem pelo Legislativo municipal, fiz vários projetos interessantes, fiscalizando o Município e propondo leis. Um exemplo é a Lei Ficha Limpa Municipal, na qual nenhuma pessoa condenada pela Justiça poderia ocupar cargo público. Ampliei o serviço da Câmara Itinerante, percorrendo os distritos, os bairros, e localidades do município.

OL: Ao assumir a Prefeitura em 2017, quais foram as principais dificuldades e prioridades da sua gestão?

JP: Enfrentamos grandes dificuldades. Queda de arrecadação, atraso do pagamento pelo governo do Estado, pandemia de Covid-19. Naquele momento, havia muito desconhecimento e muita desinformação a respeito do vírus, das causas e do tratamento. Montamos o Hospital de Campanha, um dos primeiros do estado de Minas Gerais, compramos respiradores. Concedemos o auxílio emergencial para as pessoas que não tinham condições de estar trabalhando e ficaram desempregadas.

Um dos marcos da gestão foi a construção da UPA Dom Orione, no padrão do Ministério da Saúde, com acessibilidade, área de medicação, área de eletro, área de atendimento, sete consultórios, inclusive com um consultório de odontologia. Criamos a Prefeitura Itinerante, com vários serviços públicos sendo ofertados como assessoria jurídica e Procon, serviços de Saúde diversos, orientações em várias áreas da administração. Criamos uma Casa de Apoio em Belo Horizonte para oferecer local de descanso, alimentação e acolhimento para pacientes do SUS (Sistema Único de Saúde) de Ouro Preto que viajam para tratamentos de alta complexidade na capital. Também reforçamos a segurança pública, melhoramos a infraestrutura, a mobilidade urbana e o transporte.

OL: Para encerrar, olhando para sua trajetória na vida pública e para o momento atual de sua candidatura, que mensagem o senhor gostaria de deixar aos eleitores?

JP: Esse momento é um novo desafio, é um novo tempo. Eu tive todas essas passagens legislativa, executiva e, agora, com a mesma coragem de servir, de realizar, eu quero representá-los na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, principalmente a Região dos Inconfidentes, mas claro, toda Minas Gerais. Tenho a convicção de que darei uma grande contribuição pela minha experiência, minha honestidade, minha presença e pelas minhas condições físicas, tanto de idade, quanto de lucidez mental. Eu ainda posso contribuir muito para os municípios e o estado como um todo. Quero servir a população, servir aos municípios mineiros com muita honestidade, muita transparência, muita dedicação e muito trabalho. 

Perfil

Nome completo: Júlio Ernesto de Grammont Machado de Araujo

Idade: 53

Profissão: Engenheiro Civil e ex-prefeito de Ouro Preto

Nome na urna: Júlio Pimenta

Número na urna: 15551

Partido: MDB

Candidato a governador: Gabriel Azevedo

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