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Em entrevista ao O Liberal, Orlando Caldeira, ex-prefeito de Itabirito e candidato a deputado estadual, fala sobre trajetória e propostas para Minas

Em entrevista ao O Liberal, Orlando Caldeira, ex-prefeito de Itabirito e candidato a deputado estadual, fala sobre trajetória e propostas para Minas

Imagem: Divulgação Orlando Caldeira/ Victória Oliveira

O Liberal conversou, na última quarta-feira (26), com o candidato a deputado estadual e ex-prefeito de Itabirito, Orlando Caldeira. Aos 67 anos, ele falou sobre sua trajetória pessoal e profissional, a experiência à frente da Prefeitura de Itabirito, e suas expectativas para uma possível atuação na Assembleia Legislativa de Minas Gerais. Orlando encerrou seu mandato à frente do município e, posteriormente, integrou a atual administração municipal como chefe de gabinete.

Orlando Amorim Caldeira nasceu em Teófilo Otoni e chegou a Itabirito ainda criança, aos quatro anos de idade. Foi na cidade que cresceu e estudou. Filho de Nilson Soares Caldeira e Zeli Freitas Amorim Caldeira, conta que herdou dos pais não uma tradição política, mas o exemplo de atuação social. O pai, empresário do ramo de pneus e recauchutagem, era conhecido na região e a mãe, como conta Orlando, dedicava parte do tempo à produção e doação de enxovais para mães que não tinham condições de preparar a chegada dos filhos.

Formado em Engenharia Civil, Orlando iniciou a carreira na década de 1980 e trabalhou em diferentes regiões de Minas Gerais, inclusive como engenheiro rodoviário e em grandes empresas, como a Vale. A entrada na política, de fato, veio depois de duas derrotas eleitorais. Na terceira tentativa, foi eleito prefeito de Itabirito. Confira a entrevista completa:

O Liberal: Antes da política, você construiu uma longa trajetória como engenheiro. O que a engenharia te trouxe?

Orlando Caldeira: Olha, a engenharia me trouxe, além da expertise de conhecer obras, uma coisa muito importante, que se chama planejamento. Tudo o que você vai fazer, seja na vida ou seja no trabalho, se você não fizer um bom planejamento, uma visão futura daquilo que você pretende, principalmente em uma administração, você não consegue vencer. Você precisa ter realmente uma visão de onde você está, onde você vai chegar e qual o resultado que você vai ganhar. E, nesse percurso, já analisar os problemas que você vai encontrar.

OL: Falando em planejamento, quais seriam suas prioridades na Assembleia Legislativa?

Orlando: O Legislativo não vai executar. Mas, por toda essa experiência que a gente tem, nós podemos levar para o Legislativo uma coisa que eu acho importante, que é o diálogo com os prefeitos. Então, você pode chegar perto de um prefeito e, em um bate-papo, colocar sua experiência em prol daquilo que você já fez para que ele também possa executar. Então, o deputado pode ser aquele ouvidor de prefeitos e levar ideias, propostas, ações.

Elaborar as leis é importante, fiscalizar o governador e o Estado é importante. Levar emendas, que são recursos financeiros para os prefeitos e para as cidades, é importante. Mas eu acho que o mais importante é a gente saber os problemas cruciais que nós temos, seja na nossa região, seja no nosso estado.

OL: Uma das maiores preocupações é a BR-356. Como solucionar?

Orlando: Como engenheiro rodoviário que sou, eu sei que acompanhar esse projeto de duplicação, vivenciar o dia a dia dele na sua execução, é importante para que a gente possa tirar os verdadeiros problemas das pessoas de acessibilidade. Seja, por exemplo, em condomínios, na transposição de pessoas que possam estar fazendo isso a pé. Nós conseguimos já colocar dentro do projeto duas passarelas. Conseguimos fazer com que todos os trevos que cortam a cidade sejam feitos com trevos alongados, para evitar exatamente o risco de acidente.

E também nós fortalecemos e cuidamos para que a gente possa cada vez mais trazer turista, porque turista é uma divisão de recursos importantíssima para a nossa região. Um grande desejo que eu tenho é conseguir trazer ônibus específicos do Aeroporto de Belo Horizonte para a nossa região. O turista desce no aeroporto, pega esse ônibus, passa por Itabirito, passa por Ouro Preto e vai até Mariana e vice-versa. Onde a gente pode colocar, inclusive, totens nas nossas rodoviárias informando os horários de voo para todo lugar. Evidentemente, estudar todas as prerrogativas que a lei possibilita, mas eu acho que seria uma ideia bastante interessante.

OL: Então, o senhor acredita que as possíveis soluções para a BR-356 passam pela fiscalização, pelo diálogo e pela integração entre os municípios que ela atravessa?

Orlando: Eu sou uma verdadeira pessoa que gosta do diálogo. Eu acho que, se a gente fizer uma interlocução entre os prefeitos da nossa região — porque nós temos a Zona da Mata também —, uma cidade como Ponte Nova, com um fluxo muito grande, Viçosa… Todo mundo que passa por aqui, a gente encontra muitos mecanismos, muita coisa boa para a nossa região.

A MG-030, que é a ligação de Itabirito até Ouro Branco, não é pavimentada até hoje. É um absurdo. Então, essa é também uma obra importantíssima para a nossa cidade e que nós queremos levar para o estado.

OL: Falando em Itabirito, Ouro Preto e Mariana, qual o senhor acredita que é um problema em comum desses três municípios?

Orlando: Um dos problemas maiores da saúde, para Itabirito hoje, é a hemodiálise. A gente sai com 70 pessoas, 70 pacientes daqui, com muito sofrimento, em um horário de 4h, 5h da manhã, para ir para Mariana, para ir para outros lugares, Belo Horizonte, e voltar tarde, depois de ter feito uma sessão de diálise o dia inteiro. Então, nós já estamos com um projeto bem encaminhado junto com o Hospital São Camilo, em Itabirito. Já acertamos isso com os prefeitos da nossa região para a gente poder fazer a construção da hemodiálise em Itabirito, que vai ter capacidade para mais de 80 pessoas. Nós absorveríamos os pacientes de Itabirito e poderíamos assumir pacientes de Ouro Preto e Mariana, se necessário.

OL: O que deu muito certo em Itabirito e que o senhor gostaria de levar para outras cidades ou até para todo o estado de Minas Gerais?

Orlando: Eu acho que o que funcionou bem e que agora nós já estamos colhendo os resultados foi na educação. Itabirito hoje já é o quarto IDEB do estado. Itabirito já ganhou duas medalhas de ouro em nível nacional na educação. Então, o resultado disso foi o que a gente plantou lá atrás.

Era um grande sonho implantar em Itabirito uma condição em que nós pudéssemos dar aos alunos, desde pequenininho, uma condição melhor, para que eles fossem mais felizes e mais integrados ao estudo. Então, qual foi o projeto que nós criamos? Entregando a todos os meninos um material escolar muito completo, porque eles se sentem valorizados. Depois, nós valorizamos as professoras, melhoramos não só a questão salarial, mas também a oportunidade de elas fazerem cursos, aprendizados, valorizar.

Eu fico orgulhoso, muito orgulhoso de ver você colocar uma escola no fundamental bilíngue, colocar a robótica, colocar as telas interativas, que é onde você pode entregar aos professores computadores, preparar a aula e colocar a aula imediatamente em uma tela. Então, todas as nossas escolas têm tela interativa. E é isso que eu quero para o estado todo de Minas Gerais. Eu, por exemplo, quando prefeito, em todas as cidades que fui, até cidades com um IDH maior que o nosso, ia nas escolas e não tinha isso. Teve gente que até, deputado, virou e falou assim: “O que tem em Itabirito não tem na Suíça.” Eu acho legal demais. Meus olhos enchem de água quando eu vejo esse projeto, porque eu sei que a base para o nosso país é a educação.

OL: Agora vamos para um assunto importante: a relação com as mineradoras. O senhor acredita em um futuro para Minas Gerais menos dependente da mineração, embora conheçamos toda a importância da atividade para a economia?

Orlando: Olha, a mineração é de extrema importância para o Brasil e para o mundo. Hoje nós não fazemos nada sem a mineração. Então, nós temos que tratar o nosso estado como realmente mineiros que somos, literalmente, na essência da palavra. Agora, nós não podemos depredar. Nós temos que ter uma conciliação entre preservar a natureza e fazer a extração. Não vou deixar aqui, em hipótese alguma, para você ou para qualquer pessoa que me perguntar, se uma atividade extrativista de minério não é depredadora. É. E muito. Quando você chega numa mina, parece que você está na Lua. Aquela imagem da Lua, tão feia que é. Mas é uma necessidade.

Existem várias maneiras de você conter e perenizar os cursos d’água. Então, nós temos que ter a consciência de que minerar é importante, mas preservar a natureza é mais importante ainda. É conciliar e fazer todas as compensações de uma área degradada para, depois, futuramente, ela ser uma área totalmente reflorestada. E é possível, tem como fazer. Só em Itabirito, no nosso município, nós plantamos mais de 6 mil mudas de ipê.

OL: Se pudesse escolher uma única conquista para Minas Gerais ao final de quatro anos, caso seja eleito, qual seria?

Orlando: É que nós pudéssemos realmente encontrar recursos para melhorarmos as nossas estradas, principalmente no quesito de segurança. Nós não podemos ter mais acidentes matando o nosso povo, matando os nossos familiares. Minas Gerais está muito atrasado.

Nós fizemos um trabalho junto com o Ministério Público e levamos esse assunto para o COMPOR. Ali ficamos dois anos discutindo e chegamos a muitas soluções importantes.Uma delas foi colocar tecnologia nos nossos caminhões de tráfego de minério, com a telemetria, com a questão de filmar o caminhão e ter um mecanismo que, se o motorista piscar, dê sinal de sono. Então, eu quero que isso seja replicado pelo estado de Minas Gerais e, quiçá, pelo Brasil, para que a gente possa ter mais tecnologia nos caminhões para evitar esse tipo de acidente, que muitas vezes acontece pelo cansaço, pelo sono.

OL: O senhor falou sobre educação e infraestrutura. E quando pensamos em outra ponta da população, os idosos?

Orlando: Eu perdi meu pai com 93 anos e minha mãe com 92. Mas nós ficamos até o último dia ao lado deles, cuidando, olhando, alimentando, trocando a fralda, dando banho. Nós tivemos condições de fazer isso. Muitas vezes, tem um idoso que não tem. Em Itabirito, nós temos 70 pessoas na nossa casa de repouso e uma fila de 90 para entrar. Então, com todo o time da casa de repouso, nós já disponibilizamos, o município doou para a casa de repouso um terreno de 25 mil metros quadrados. Eles estão fazendo o projeto e nós já estamos buscando recursos para construir uma casa de repouso para 200 idosos. A gente pega não só os de Itabirito, mas também outros que possam ser absorvidos.

A Prefeitura iria desapropriar com esse dinheiro. Eles vão utilizar parte desse dinheiro na construção, porque precisa de mais, não vai ser só suficiente o valor da desapropriação. E, nesse prédio, vai ser o Centro-Dia do Idoso. São aqueles velhinhos que não têm necessidade, não precisam passar a noite na casa de repouso. Ele pode ir para lá. Vai ter um cinema, vai ter um jogo de carteado, diversão, pode ter dança. E nós temos que olhar o território todo de Minas Gerais. Eu acho que isso aí já vai ser uma missão de todos nós, deputados, que temos que destinar recursos para as casas de repouso. É uma causa que eu quero comprar.

OL: Para encerrar: para quem ainda não se decidiu em quem votar para deputado estadual, qual seria a sua mensagem?

Orlando: Eu quero deixar para o povo mineiro a minha mensagem de que o Orlando está colocando o nome dele não para ser mais um. Não quero ser mais um. Eu quero ser uma pessoa que possa discutir e fazer algo por Minas Gerais, principalmente pela experiência que tenho como engenheiro, como homem, como pai, como família, como um homem temente a Deus. Nós tivemos uma atuação muito transformadora em Itabirito, e que a gente possa levar isso para Minas Gerais.

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