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Carta aos Tempos
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Já é hora de debater programas e propostas para o Brasil

A sucessão presidencial no Brasil já tem seus candidatos, que expressam a multipolaridade ideológica e partidária que hoje se apresenta ao país. E os candidatos já estão em plena campanha, em todo o território nacional, realizadas as convenções partidárias e o registro de candidaturas. Não se pode dizer que falta interesse ou motivação entre os brasileiros eleitores sobre candidatos, campanhas políticas e preferências. Mas analistas políticos apontam a falta, até agora, de um debate que ultrapasse o mero embate ideológico ou a simples disputa pelo poder e suas benesses, avançando para a apresentação e discussão de programas de governo, prioridades e diagnósticos efetivos para enfrentar os muitos e graves problemas brasileiros.

O Brasil não é mais um país subdesenvolvido, sem expressão econômica ou importância no mundo. Mas persistem muitos, urgentes e graves problemas que precisam ser abordados pelos candidatos com objetividade, razoabilidade, viabilidade e, sobretudo, com a prioridade que merecem. Problemas que devem ser preocupação de todos, além e acima das ideologias — importantes e inerentes ao debate político, mas que não podem limitar ou estreitar a discussão. Ideologias que acabam por impedir visões e compromissos claros, urgentes e prioritários para o Brasil. É isso que o país precisa; é isso que o eleitor esclarecido pergunta e até aguarda para tomar sua decisão quanto ao voto. Mas é, acima de tudo, o que deveria ser o aspecto mais importante da campanha eleitoral: ideias, propostas, projetos e prioridades para os muitos problemas brasileiros que exigem soluções e enfrentamentos capazes de enriquecer o debate político nacional.

O mundo enfrenta transformações extraordinárias, inusitadas e surpreendentes, em escalas e velocidades assustadoras, que exigem pautas novas de debate e enfrentamento. Basta lembrar a crise climática e os extremos ambientais que já acontecem e necessitam de ações objetivas e preventivas — e lembrar que o “El Niño” já está presente. Ou ainda a permanente prioridade que deve ser dada à educação, à saúde, aos programas sociais e ao desenvolvimento econômico. E às novas realidades reveladas pelas relações internacionais bastante conturbadas e pelo essencial, desafiante e urgente desenvolvimento tecnológico diante dos imensos desafios da inteligência artificial. E também às pautas humanas e sociais: a necessária redução das desigualdades, a proteção ao emprego e à renda, o apoio ao empresariado nacional, a ampliação das boas relações internacionais — e muito mais.

Alguns temas são novos e mais urgentes. Basta lembrar a questão das “terras raras” e dos “minerais críticos”, sob cobiça internacional, e que o Brasil e Minas Gerais possuem em ocorrências já alvo de ambições externas. Ou a ação imperialista dos EUA, que impõem tarifas comerciais punitivas ao Brasil e tentam ampliar sua influência na política nacional. Ou a necessária ampliação dos mercados internacionais para sustentar a expansão brasileira desejada e necessária. Ou ainda um tema muito atual: como reforçar a soberania nacional, com capacidade de defesa do Brasil em tempos de conflitos ideológicos e ameaças à integridade e intocabilidade do seu território.

É fundamental que o debate eleitoral ganhe consistência, objetividade, atualidade e, sobretudo, abordagens alinhadas ao momento histórico, econômico e social do Brasil e à sua inserção neste novo e conturbado mundo. E que tenhamos no Poder Legislativo, especialmente na Câmara Federal e no Senado, representantes comprometidos com os grandes desafios brasileiros. É isso que o eleitor espera do debate político-eleitoral.

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