O Liberal
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Notas da Pedra
3 min

Quando a História Sopra Seus Metais

Marcas do passado

É comum ver internautas nas redes sociais pedindo a volta dos militares. É bom esclarecer sobre atos do regime de exceção que vivemos a partir de 1964. Vivi a época, era estudante, e senti na pele os efeitos da mordaça no direito de expressão.

Presenciei confronto entre estudantes e militares na Avenida Afonso Pena; vi prenderem, em Itabirito, o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, Regaldino Neto de Souza, e confiscar toda a documentação sindical. 

Um batalhão desfilou em nossas ruas para proceder à prisão do médico Antônio Castro Veado, simplesmente porque havia proferido palestras no Rotary Club. 

O jovem Antônio Carlos, filho do músico Mata Pinto, foi chamado ao alto comando do Exército em Juiz de Fora para explicar o artigo publicado no jornal mimeografado que antecedeu ao “Esporte Urgente”, exaltando o Dia do Trabalhador. 

Participamos da organização do Festival da Canção, criação do Pe. Francisco Xavier, com apresentação do nosso relações públicas Hilton Malheiros. O festival só podia ser realizado depois da liberação, em Brasília, da censura das letras de todas as composições. 

A fundação do MDB pelos irmãos José Bastos e Geraldo B. Bittencourt, Raimundo Toledo, Luís Corradi, José Rosendo e tantos outros era vista como afronta, já que na cidade quase todas as lideranças políticas eram filiadas à Arena. 

As primeiras reuniões aconteceram nos porões da casa da Tia Lola, nas residências de Chico Marques, na Boa Viagem, ou do Sô Francisco, no Bairro Carioca. 

Tempos difíceis, em que o vizinho inoportuno muitas vezes era denunciado como comunista. Geração que teve sonhos desfeitos. Músicas censuradas. Ídolos banidos. Sociedade com medo e direitos suspensos. 

Temos que agradecer ao idealismo e à perseverança de líderes como Ulysses Guimarães, Tancredo Neves e Teotônio Vilela, que conduziram o país ao caminho democrático.

Encontro que ecoa tradição: Quando a história sopra seus metais, a cidade para para ouvir. Neste domingo, duas centenárias se encontram: Banda Santa Cecília de Mariana e Banda Santa Cecília de Itabirito dividem o mesmo coreto, o mesmo fôlego e o mesmo espaço, tudo no Complexo Turístico da Praça da Estação.  E a partitura ganha verso: os escritores de Itabirito se unem à festa, transformando notas em narrativa. Aqui, cada compasso conta uma página da nossa cultura, e cada página, embalada pelo ritmo da Copa, vira memória viva.  Entrada gratuita: traga o ouvido, o coração e a torcida verde e amarela.

Sessão solene da Câmara Municipal em 1975 prestando homenagens Imagem: Arquivo Ivacy Simões
Academia Municipalista de Letras: Toda cidade que respeita sua memória sonha em ter uma academia de letras, porque é ali que a palavra ganha casa e a história ganha guardiões. Itabirito não é diferente. Nossos poetas e escritores, que há tanto tempo tecem a identidade deste chão, agora se organizam, e o projeto que está em pauta é mais que um sonho: é um compromisso com a cultura que nos forma. Em breve teremos novidades. Quando elas chegarem, não será só uma notícia: será um capítulo novo na literatura da cidade.

Para refletir: Nossas vidas começam a terminar no dia em que permanecemos em silêncio sobre as coisas que importam. (Martin Luther King)

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