Com o início da liberação, parcial, dos bares e restaurantes, nas grandes cidades, liberam-se também instintos primitivos, razoavelmente contidos em situação de normalidade, mas duramente reprimidos durante a fase mais rígida da quarentena, quando não extravasados em cenas de violência doméstica. É o que se constata entre frequentadores de ambientes, dos quais, pobres mortais não ocupam nem as calçadas. Da finesse nos gestos e colóquios em sussurros, o que eram bons modos e cordialidade descambaram para a grosseria, gritos e pancadaria. O morro desceu ao asfalto e o restaurante virou botequim! Mas, como? Por que isso? Quem passa no momento não reconhece o mesmo lugar, onde antes reinava pompa e finura. Mas, é o resultado da contenção forçada, acumulando energia, gerando stress, bulindo com todos os sentimentos humanos, sem qualquer compensação reparadora. É o profissional, por longo tempo, mantido em estado de alerta, são os jovens contidos na vazão de suas alegrias, é toda a sociedade que circulava livremente que, de repente, quer “curtir”, mas ainda há normas a serem cumpridas; a liberdade plena de antes, agora é contada pelo relógio. Não só contra esse limite, mas também por motivos que envolvem boas maneiras, arma-se o barraco e se roda a baiana em qualquer lugar, onde rola a “champagne” e onde rola a cachaça! É como grande volume de água, não importa se límpida, lodosa ou barrenta, por algum motivo mantida represada. Quando liberada daqueles limites, rola para a parte mais baixa, destruindo tudo o que encontra pela frente. Gente, neste início de liberação, melhor ficar em casa, por mais algum tempo!