Se feita a brincadeira de adivinhação, daquelas antigas, alguém a mataria, ou decifraria? Então, vamos lá: o que é, o que é: antigamente, coisa importante, necessária e útil, porém rara e, por isso pouco usada; hoje, continua importante, muito necessária e útil, inflacionada, muitas vezes chata, usada até demais, mas nem sempre para fins úteis, porém, a importunar, cada vez mais, as pessoas. O que é? O que é? Quem pensou ou disse telefone acertou. Ô coisinha, que não se pode dispensar, mas que se dispensaria, de bom grado, se não fosse incerto o futuro! De nobre a vulgar, o telefone desceu dos píncaros das raridades e resvalou para o fundo das corriqueirices, onde o mau uso costuma se sobrepor à utilidade, levando pessoas à irritação. Mas, não é só o mau uso por falta de educação para o útil, porque a própria evolução dos negócios, por meio da tecnologia, que não se acanha em seu avanço, abusa da ansiedade ao ouvir o tilintar e da boa vontade em, rápido, atender. Durante algum tempo, prevaleceu o telemarketing como fator azucrinante na área da telefonia, mas ainda que muito demorado veio o socorro em forma de bloqueio, que deixou assinantes a pensar que tudo estaria bem, dali em diante. Mas não é isso que acontece. Como gato escaldado tem medo de água fria, quem ouve a voz feminina e melodiosa, do outro lado, a chamá-lo pelo próprio nome, não se ilude e, enquanto aguarda por um momento, constata tratar-se de um robô. O que um robô (seria roboa?) quer comigo? Vade retro!