Imagem e Texto: Victória Oliveira
Fase atual foca na elaboração de projetos para conservação ambiental e saneamento rural na região que contempla Cachoeira do Campo, Amarantina e Glaura
Moradores, proprietários rurais e representantes de instituições ambientais participaram, nesta quinta-feira (21), na Casa de Cultura de Cachoeira do Campo, de uma reunião de apresentação da segunda etapa de uma iniciativa de conservação ambiental na bacia do Rio Maracujá, em Ouro Preto. A ação prevê a elaboração de projetos executivos voltados à conservação do solo, produção de água, recuperação de áreas degradadas e implantação de soluções de saneamento rural na região.
O encontro reuniu proprietários rurais das localidades que serão contempladas nesta etapa, incluindo Cachoeira do Campo, Amarantina e Glaura. Também participaram moradores de outros distritos e comunidades, como São Bartolomeu, Santo Antônio do Leite, e diferentes localidades de Cachoeira, como Morro da Mata e Madureira, interessados em discutir questões relacionadas à preservação ambiental, ao saneamento e à proteção do Rio Maracujá.
A iniciativa foi viabilizada por meio de edital da Prefeitura de Ouro Preto e reúne instituições ligadas à gestão ambiental e hídrica da região. Participam das ações o Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio das Velhas e o Subcomitê de Bacia Hidrográfica Nascentes. O financiamento é realizado pela Agência Peixe Vivo, enquanto a elaboração técnica dos projetos está sob responsabilidade da empresa Gama Engenharia.
O cronograma prevê diferentes etapas ao longo de nove meses. Os três primeiros serão destinados à mobilização social, cadastramento das propriedades e caracterização da microbacia. Em seguida, serão elaborados Projetos Individuais de Propriedade (PIP) e, posteriormente, um projeto executivo consolidado para toda a área contemplada. Nesse processo, a atuação da empresa também irá contribuir gratuitamente para a regularização das propriedades.
Na prática, a iniciativa funciona como um diagnóstico ambiental e estrutural da região. Técnicos irão visitar as propriedades cadastradas para identificar os principais problemas enfrentados pelos moradores e propor soluções específicas para cada localidade. Entre as ações previstas estão proteção de nascentes, recuperação de áreas degradadas, cercamento de cursos d’água, contenção de erosões e implantação de soluções individuais para tratamento de esgoto em áreas rurais.
O objetivo é melhorar a qualidade da água, reduzir impactos ambientais e evitar que resíduos e esgoto cheguem aos rios e córregos que formam a bacia do Rio Maracujá, importante afluente da região.
Em conversa com o jornal, o secretário municipal de Meio Ambiente, Chiquinho de Assis, destacou a importância da iniciativa para ampliar os investimentos ambientais no município. “Ouro Preto, que é parte integrante do Comitê das Velhas, vem lutando muito para atrair investimentos visando a recuperação do solo, produção de água e saneamento rural aqui na localidade. Algumas ações já estão sendo realizadas na comunidade do Maciel e na comunidade Engenho D’Água, levando soluções individuais de saneamento das propriedades rurais”, afirmou.
Segundo o secretário, a nova etapa amplia um trabalho já iniciado na região. “Já houve uma primeira etapa em outra área, com projetos individuais entregues e executados. Nesta segunda etapa, que pega Cachoeira do Campo, nós estamos avaliando propriedade por propriedade, entendendo o que precisa ser feito. Vamos ter que cercar nascentes? Construir soluções para o esgoto? Recuperar áreas nas margens do rio? A partir disso, vamos captar recursos para investir depois”, disse.
Além dos moradores da zona rural, proprietários de residências na área urbana também participaram do encontro e questionaram soluções voltadas ao saneamento e à proteção do Rio Maracujá nas áreas urbanizadas de Cachoeira do Campo. Perguntado sobre o tema, Chiquinho de Assis explicou que as responsabilidades se dividem entre a Prefeitura e a concessionária responsável pelo saneamento urbano.
“A gente sempre está à disposição. Acontece que a iniciativa privada é responsável pela mancha urbana, enquanto a área rural ficou descoberta. Por isso estamos buscando respostas para apoiar quem mora na zona rural. Na área urbana, a concessionária tem metas a cumprir até 2033, dentro do marco do saneamento. Acho que em breve vamos fazer uma grande reunião em Cachoeira do Campo para explicar qual é a proposta de tratamento para o distrito”, explicou.
O secretário ainda destacou que as ações precisam acontecer de forma integrada entre área urbana e rural. “Não adiantaria o núcleo urbano ter uma estação de tratamento de esgoto e a zona rural continuar levando esgoto para o mesmo rio. Acho que estamos começando a fazer algo bem mineiro: começando pelas beiradas”, concluiu.
Como parte da fase de mobilização social e cadastramento das propriedades, a iniciativa contará com bases de apoio temporárias nos distritos contemplados. Nesta sexta-feira (22), os atendimentos acontecem na Casa de Cultura de Cachoeira do Campo. Já entre os dias 25 e 29 de maio, a equipe estará na Casa de Pedra, em Amarantina. Em Glaura, o atendimento será realizado entre os dias 1º e 3 de junho, no Polo Cultural do distrito.
A expectativa é que o levantamento técnico realizado nesta etapa permita direcionar futuros investimentos em recuperação ambiental, preservação hídrica e saneamento rural, contribuindo para a proteção da bacia do Rio Maracujá e para a melhoria da qualidade de vida das comunidades da região.