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Legislativo de Mariana cobra esclarecimentos sobre o Museu dos Territórios Atingidos e andamento das desapropriações de imóveis em Bento Rodrigues e Paracatu de Baixo

Legislativo de Mariana cobra esclarecimentos sobre o Museu dos Territórios Atingidos e andamento das desapropriações de imóveis em Bento Rodrigues e Paracatu de Baixo

Imagem: Marcos Delamore/ Marcos Delamore

A situação dos atingidos e atingidas pelo rompimento da barragem de Fundão, em 2015, voltou ao centro dos debates na Câmara Municipal de Mariana, durante a reunião ordinária desta segunda-feira (18). O vereador Ronaldo Bento (PSDB) cobrou esclarecimentos sobre o andamento das desapropriações de imóveis pertencentes às famílias, além das definições envolvendo o projeto de criação do Museu dos Territórios Atingidos em Bento Rodrigues e Paracatu de Baixo.

Desapropriações

Representantes das comunidades atingidas pela atividade minerária procuraram o Legislativo em busca de acompanhamento das ações relacionadas à reparação. Entre as principais preocupações apresentadas estão a condução das desapropriações e a participação popular nas decisões.

“Segundo informação, a Samarco vai repassar o montante para que seja feita a desapropriação por parte do município. Os atingidos querem sentar conosco, periodicamente, para dialogar, não só com relação a essa situação da desapropriação, mas como também deste museu que está sendo feito e todas as outras ações que, de fato, eles acham pertinente, ter uma discussão sobre. Ou seja, a real situação” revelou Ronaldo Bento.

Outro ponto levantado durante a discussão envolve questões de segurança relacionadas à área onde o museu deverá ser implantado. De acordo com o vereador, moradores demonstraram preocupação em relação à localização do espaço dentro da chamada Zona de Autossalvamento (ZAS), em razão da proximidade com estruturas de barragens da região, como a Santarém 2.

Durante a sessão, o secretário municipal de Governo, Danilo Brito, afirmou que as tratativas relacionadas ao museu e às desapropriações vêm sendo discutidas há mais de oito meses entre o município e as comunidades atingidas.

“As desapropriações serão feitas pelo Município. As avaliações individuais, em caso de concordância, terão ainda um percentual adicional sobre o valor”, pontuou Danilo Brito. 

O Museu dos Territórios Atingidos em Bento Rodrigues e Paracatu de Baixo

Dez anos após o rompimento da barragem de Fundão, a Unesco apresentou o projeto para tornar o território de Bento Rodrigues e de outras comunidades de Mariana em memoriais sensíveis.

Em dezembro de 2025, o prefeito de Mariana, Juliano Duarte, assinou o termo de intenção de criação do museu, que valoriza a memória e a identidade das localidades. De acordo com a administração municipal, o custo previsto da obra é da ordem de R$ 27 milhões. A fonte de financiamento advém do Novo Acordo de Reparação.

A iniciativa recebe o nome de “Museu do Território Atingido: do Gualaxo ao Doce” e busca preservar e dar visibilidade às histórias, práticas culturais e modos de vida, ao longo dos mais de três séculos de história, das comunidades impactadas pela maior tragédia socioambiental do Brasil.

O secretário Municipal de Governo, Danilo Brito, explicou que os recursos destinados à implantação do museu já estão assegurados e já foram depositados pela Samarco nos cofres públicos municipais. “O recurso está em conta e as reuniões são para desenvolver o museu”, destacou.  

O conceito apresentado para o museu não se limitaria a uma edificação, mas abrangeria todo o território atingido, integrando pontos de memória, ruínas, manifestações culturais e históricas locais.

Para Ronaldo Bento, o projeto do museu possui relevância histórica e simbólica por preservar a memória do desastre que destruiu Bento Rodrigues e marcou a história de Mariana.“Não gostaríamos de estar aqui hoje falando de nós termos que colocar algo para que seja visitado de uma tragédia crime que houve no passado, mas infelizmente a gente precisa de alguma forma demonstrar para que aquilo fique em memória”, afirmou o parlamentar.

Diálogo

Segundo Ronaldo Bento, as comunidades afetadas reforçaram o anseio de um suporte da Câmara Municipal para estreitar um canal aberto de diálogo entre a Prefeitura e os atingidos.

“Precisamos respeitar e ouvir os atingidos”, frisou o vereador.

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