O Brasil e, especialmente, Minas Gerais, estão diante de um grande desafio: explorar o imenso e estratégico valor das terras raras e “minerais críticos” e precisam impor, como condição essencial, desenvolver e incorporar a tecnologia de separação e refinamento. E, a médio prazo, incentivar a implantação, em território brasileiro, de indústrias modernas que usam os minerais críticos, de grande valor na extraordinária transformação tecnológica e energética do mundo contemporâneo. Estamos diante de uma grande renovação mineral mundial e Minas Gerais, não pode perder esta extraordinária e auspiciosa oportunidade que o destino lhe proporciona. A diversidade mineral do Estado já lhe proporcionou dois ciclos minerais, a era do ouro e da extração do minério de ferro. Mas este novo e inusitado desafio inscreve-se agora em escala mundial ainda maior. Este é um tema recorrente, mas que merece ser lembrado e cobrado como prioritário.
O mundo vive a terceira revolução mineral. É que se tornou questão estratégica para esta nova era da competição tecnológica. Minas Gerais, segundo os levantamentos realizados até agora, possui o maior potencial destas terras raras, cerca de 40% do que se conhece de todo o Brasil, percentual que, no entanto, pode ser muito superior quando forem realizadas pesquisas geológicas em todo o território mineiro, ainda pouco conhecido quanto a estes novos materiais. O desafio se impõe com urgência pois a corrida por estes minerais está aberta em todo o mundo.
Este desafio se torna ainda mais importante, e fundamental, quando Minas Gerais tem hoje dívida consolida, de R$ 200 bilhões e uma grave restrição orçamentária que hoje restringe os serviços públicos, educação, saúde, obras públicas e muito mais. É fundamental, e urgente, que o governo do Estado mobiliza todo setor industrial, empresarial e político para um enfrentamento eficiente e amplo desta oportunidade. E as representações políticas, na Assembleia Legislativa, na Câmara federal e no Senado. E que se posicione em defesa dos legítimos interesses do Estado.
A Câmara Federal já aprovou nova legislação para a exploração mineral, com reconhecidos avanços. E abre caminhos para que Minas Gerais deixe de ser exportadora de minérios brutos para exportar matéria-prima de maior valor agregado, com alguma transformação industrial, gerando mais recursos, empregos e desenvolvimento regional E, sobretudo, com maiores cuidados com a mineração e seus impactos ambientais. Para isto os exemplos de Mariana e Brumadinho estão muito vivos. Precisamos sair da condição de Estado exportador de matéria- rima para sermos exportador com maior valor agregado.
É importante lembrar que Minas é a maior exportadora de nióbio do mundo. E agora do lítio do vale do Jequitinhonha, que se revela como tendo várias outras jazidas de terras raras, já sob cobiça internacional. E já se revelam outros minerais. As regiões de Araxá e Poços de Caldas, que apresentam “chaminés vulcânicas”, segundo os geólogos, possuem vários outros “minerais críticos”, alguns já explorados. E de grande interesse para a transição energética mundial. É preciso lembrar, no entanto, que só conhecemos 25% do nosso território pois também faltam pesquisas geológicas mais avançadas. Enfim, o destino dos próximos anos de Minas Gerais está sob este novo desafio. E que necessita de respostas urgentes.