Nesta edição, o tema não está aqui, nas proximidades e nem está, diretamente, ligado à nossa realidade, mas serve de orientação quanto ao futuro. Ao mesmo tempo, uma curiosidade que, pensa-se, era desconhecida por aqui, revela-se de forma dramática. Notícias dão conta de uma violenta onda de calor, que varre a Europa, como há muito tempo não acontecia. O sol abrasador trouxe outra consequência, ainda mais grave, pois falta água em todo o continente. Na França, cerca de cem cidades estão, praticamente, sem água, nas redes de distribuição. Enquanto isso acontece nos grandes aglomerados urbanos, observadores de fenômenos da natureza, especialmente os residentes no campo, anunciam que já se mostram as “pedras da fome”. Pedras da fome? Mas, o que seria isso? Pelo que se sabe, elas se mostram mais na Alemanha. Movimentar Essas pedras, presas no fundo dos rios, somente se mostram quando as águas chegam ao mínimo, do que hoje se considera segurança hídrica. No nível daquelas pedras, as águas não eram, seguramente, suficientes para movimentar moinhos, para o manejo da terra, para a prática da agricultura ainda rudimentar, não dotada dos recursos tecnológicos de hoje. Tais pedras trazem inscrições feitas por pessoas que padeceram do flagelo da seca, nos últimos cinco séculos. Contam-se essas pedras, quase sempre, em dois anos, separados por algumas décadas, em cada século. A mais antiga conhecida, data de 1417. Além do ano da ocorrência, costuma-se encontrar alguma observação como “Se me viu, você vai chorar”; o que quer dizer fome e sofrimento, em decorrência da falta de água, denunciada pela pedra, situada estrategicamente no fundo do rio. As pedras da fome eram um aviso às gerações futuras sobre o que poderiam vivenciar, quando as vissem descobertas. Dessa forma poderiam se preparar para dias mais difíceis. Esse relato demonstra que nem tudo, denunciado por alguns arautos do Apocalipse, tem força de verdade. Secas intensas e prolongadas, chuvas constantes e volumosas são fenômenos cíclicos geoclimáticos, não exclusividade de nosso tempo e nem, necessariamente, causados pela ação do ser humano; este contribui, é verdade, mas não é a causa maior. Por outro lado, isso que não quer dizer que se deve relaxar quanto aos cuidados com o meio ambiente e preservação da natureza. A Natureza sabe o que faz, mas o ser humano nem sempre sabe o que fala!