O Liberal
Últimas Noticias
O Berro do Bode Zé
3 min

Bendita e bem-vinda discriminação

A velhice ou idade avançada, como queira, não é a mais invejada entre as etapas da vida, embora fosse natural que todos desejassem e vivessem vida longa, com qualidade, é claro. Entretanto, muitas vezes, a velhice não é desejada por grande parte das pessoas mais jovens. No fundo, no fundo, isso acontece porque, ainda longe daquela fase, pessoas se enchem de um sentimento, talvez pudesse intitulá-lo “autopreconceito”, imaginando para si o que vê a acontecer com seu semelhante. Tal sentimento seria a pré-visualização de uma velhice cheia de problemas, saúde debilitada, dependência de terceiros, formando então espécie de preconceito em relação ao seu futuro estágio de vida. Considerando-se a grande população, não são muitos os que chegam à idade avançada e, entre estes, raros os que gozam de relativa saúde e ainda se sentem com disposição para algumas atividades. Excetuando-se doentes mais graves, alguns até com ânimo de vida, mas a seguir com restrições, há os que “arriam a trouxa”, caem na apatia e se julgam inúteis, dando asas a críticas maldosas, ao redor. Podem ser esses os que, ainda mais jovens, não anteviram, porém mentalizaram, criaram na mente o quadro do qual fazem parte. É pena que isso aconteça, pois a vida pode ser bela em qualquer circunstância, mesmo na velhice, dependendo tão somente da nossa mentalidade em relação a ela, desde a infância. Ao ter tempo acumulado (velhice), toma-se consciência de ter aprendido muito, que não o teria, se não chegado até aqui. A pressa já não importa; o que era para ontem, agora pode ser quando puder, se puder! A paciência, antes difícil, chega de mansinho e se acomoda. Nada mais assusta, depois de todos os sustos; e mais, com eles cria-se resiliência para o enfrentamento de surpresas, agradáveis e desagradáveis que, nestes tempos, não são poucas. As limitações chegam, as compensações também. Entre estas últimas vem uma discriminação. Em campanhas eleitorais passadas, gente nunca vista nos abordava como se conhecidos fôssemos; gente que fingia não nos ver, agora nos descobria; sem que lhes pedissem qualquer coisa, havia candidatos a prometer algo; depois de rápida circulação pelas ruas, voltava-se para a casa com os bolsos cheios de “santinhos” de candidatos de todos os partidos e de todos os matizes. Depois de a cara marcada pelo tempo, fica-se livre da hipocrisia do candidato que, agora, pode se constranger diante de possível “eu não voto mais”, ainda que o abordado pense e aja ao contrário. Quem disse que a velhice é ruim? Está aí uma vantagem, e, das boas! Eles não fingem amizade com os velhos e estes não fingem que neles vão votar. Das simpáticas meninas a balançar bandeirolas coloridas, ainda se ouve um olá ou gentil bom dia, mas nada de assédio de natureza política! Graças a Deus por viver estes dias!

Todos os Direitos Reservados © 2026

Desenvolvido por Orni