Diz a Constituição que todos os cidadãos são iguais perante a lei, mas a própria sociedade quebra o princípio, quando deveria comportar-se de acordo com ele, fortalecendo a base para cobrança de seu cumprimento por parte oficial. No âmbito da criminalidade, por exemplo, se o fato envolve celebridades, todos querem saber detalhes sobre a ocorrência e a mídia explora o assunto até a exaustão. Em se tratando de pessoa de destaque, tudo vale para que o caso continue no topo do noticiário; o mesmo não ocorrendo quando a vítima não tem sobre si os holofotes da mídia, por essa ou aquela razão, segundo a escala de valores da mesma sociedade. Por simples acaso ou iniciativa quase anônima, sabe-se de homicídio, ocorrido bem perto, cuja repercussão é o silêncio total, tal qual a brutalidade do fato que impediu de a vítima falar, levando-a para a sepultura. Segundo informações não confirmadas, pequeno comerciante teria sido atacado, quando fechava o estabelecimento, sendo espancado até desmaiar, seguindo-se sua agonia durante toda a noite, até o dia seguinte, quando foi encontrado todo quebrado. Socorrido e levado ao hospital, acabou por falecer, sem conseguir denunciar quem o atacou. Do fato, nenhuma nota se deu, a “rádio peão” emudeceu e nem o boca-a-boca, tão eficiente na fofoca, deu o ar de sua eficiência. Era uma vida como as demais, mas se apagou sob a violência das pancadas e o silêncio dos seus semelhantes!