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O Berro do Bode Zé
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Comunicação perneta no reino da dona justa

Nunca, em lugar algum, foi tão fácil a comunicação interpessoal, ou seja, pessoa a pessoa, e, de fato, razão não há para uma pessoa desconhecer acontecimentos dos mais importantes em seu entorno, muito menos quanto ao que, diretamente, lhe diz respeito. Internet, incluindo-se e-mail e série de redes sociais; telefone fixo; telefone celular, incluindo-se Whatsapp (o telefone de graça) e outros aplicativos do gênero, sem se esquecer do velho e tradicional bilhetinho e do recado pessoal estão aí, para que relacionamentos pessoais, sociais e comerciais fluam, sem interrupções ou quebra de contato. Entretanto, as pessoas se tornam cada vez mais omissas quanto ao cumprimento do que lhes cabe em comunicação com terceiros. Não que os ditos meios, fiquem ociosos, sem uso; continuam ocupados e ocupadíssimos, porém, grande parte das vezes, com o dispensável e deletério como a mentira, a calúnia, o deboche, as armações contra imagem pública do próximo, deixando de lado o saudável e que, de fato, interessa a outrem. Vítimas dessa omissão, no meio de tantos recursos de comunicação, ficam como se a morrer de sede, mergulhadas na água até o pescoço! Nem nos domínios da Dona Justa se escapa desse descaso e desrespeito para com o próximo, tão arraigada está a falha no comportamento da sociedade! Testemunhas de uma pendenga judicial, que já se arrasta há mais de vinte anos mediante adiamentos e mais adiamentos, compareceram, para audiência, em atendimento a mais uma intimação recebida. No Fórum e hora aprazada, onde e quando não estavam presentes os litigantes, testemunhas de uma das partes foram informadas de que o evento havia sido adiado, mais uma vez, diga-se de passagem. Consultado o documento intimatório, lá estava a admoestação ameaçadora: “Caso Vossa Senhoria deixe de comparecer à audiência sem justo motivo, responderá pelas despesas do adiamento, nos termos do artigo 455, parágrafo quinto do Código de Processo Civil”. Tudo bem, mas e quando testemunha não é, previamente, informada do adiamento, quem responde por seus prejuízos e agenda de compromissos tumultuada? Moral da história: pimenta nos olhos dos outros é refresco! Com todo respeito, Dona Justa, isso não é justo!

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