Valdete Braga
De vez em quando, alguma palavra ou expressão entra na moda. Há algum tempo, era o falado “eu sou sincero”, para justificar falta de educação e agressividade gratuita. Sob a égide da “sinceridade” e “franqueza” gente sem noção saía agredindo os outros por nada, ofendendo sem necessidade e se sentindo muito poderoso em sua “sinceridade”.
Com o tempo, a coisa foi escalando tanto que houve uma reação contrária, forte o suficiente para que esta narrativa diminuísse significativamente e o modismo passasse, colocando cada um em seu lugar e cortando os abusos. A diferença entre ser sincero e ser grosseiro é bem grande, e quando o modismo ficou muito escancarado, as pessoas começaram a reagir, cortando os excessos.
Atualmente, se inicia o mesmo movimento com a reatividade. “Eu sou reativo” é a tendência da vez. Como a própria palavra diz, reativo vem de reação, ou seja, a pessoa reativa é aquela que, ao ser provocada, reage de forma impulsiva. Reagir impulsivamente não significa sair xingando por nada, em uma nova versão do “eu sou sincero”, para justificar a própria agressividade.
Há quem se diga reativo sem nem saber o que isso significa. Quem do nada sai xingando, por estar “nervoso” ou “em um mau dia”, não está reagindo a nada, está é sendo mal-educado, mesmo. Aí bate no peito e diz “eu sou reativo” como se isto fosse um troféu a ser divulgado.
Novamente, o modismo está sendo usado para tentar justificar o injustificável. Quem é mal-educado é mal-educado e ponto, e quem é agressivo, idem. Não adianta procurar palavras para se apoiar, porque é muito óbvia a diferença.
Claro que isto serve para situações recorrentes. Todos nós, em algum momento, podemos, sim, sermos grosseiros com alguém ou alguma situação. Dificilmente alguém nunca passou por um momento de explosão, xingando ou perdendo a paciência com alguma coisa. Isto é inerente ao ser humano e todos estamos sujeitos, o importante é reconhecermos isto, e, depois que passa, agirmos de acordo com a atitude tomada, sabermos reconhecer o erro e pedirmos desculpas, se necessário.
No caso de uma atitude isolada, não cabem as questões aqui colocadas, existem casos e casos e é preciso saber diferenciar. Quando a pessoa “explode” por qualquer coisinha, ou já tem em si uma grosseria implícita, isto não é atitude isolada. Não é agir de cabeça quente, ou dar uma resposta no calor do momento, é traço de personalidade.
Uma grande diferença entre quem tem uma ação impensada e quem é naturalmente grosseiro é que o primeiro não vê problema em reconhecer o erro e pedir desculpas, enquanto o segundo sequer admite a possibilidade de estar errado. Justificar a própria grosseria como reatividade é uma forma de não reconhecer este erro.