Valdete Braga
O carnaval começou na Europa há mais de dois mil anos. Os romanos já faziam grandes festas, chamadas saturnálias, onde as regras da sociedade da época podiam ser esquecidas. As pessoas saíam fantasiadas, usavam máscaras, bebiam, e por alguns dias tudo era permitido.
Com o tempo, o nome “saturnália” mudou para “carnavale”, expressão em latim que significa “adeus à carne”, e era um período de festa antes da quaresma, quando os cristãos jejuavam e evitavam excessos.
A tradição se espalhou pela Europa e chegou ao Brasil no século XVII, trazida pelos portugueses.
O carnaval que os portugueses trouxeram não era em nada parecido com o carnaval atual. Era uma festa chamada entrudo, e as pessoas saíam pelas ruas jogando farinha, água e frutas umas nas outras, criando o caos. O entrudo não tinha o sentido de festa e sim de uma bagunça generalizada.
Tempos depois, com a influência africana, o carnaval começou a criar ritmo e identidade própria. Os batuques dos escravizados trouxeram os primeiros toques de samba e as festas populares foram ficando mais organizadas.
No começo do século XX o carnaval brasileiro começou a tomar a forma que conhecemos hoje. Surgiram os primeiros blocos e escolas de samba, que cresceram tanto, que em 1984 nasceu o sambódromo do Rio de Janeiro, palco do maior espetáculo do mundo, e assim o mundo inteiro passou a conhecer o carnaval brasileiro, já tão distante e diferente dos antigos carnavales.
O Rio de Janeiro é a referência do carnaval brasileiro para o mundo, mas ele é comemorado em todo o país, com diferentes características. No Nordeste, o frevo domina as ruas de Olinda, com suas sombrinhas coloridas e muita dança. Em Salvador, os trios elétricos ganham a cidade com o axé, e em São Paulo as escolas de samba também são grandiosas. Cada estado tem o seu carnaval, com suas particularidades, para a diversão da população.
Milhões de pessoas são mobilizadas para esta época, que na verdade é mais do que uma festa, e sim uma explosão de cultura, história e identidade.
Infelizmente, nos tempos atuais, os valores estão invertidos, o sentido de diversão anda distorcido, o que é uma pena, porque a diversão sadia do carnaval é muito positiva.
Uma festa com um histórico tão rico, infelizmente, transformou-se em sinônimo de orgia. O sentido do carnaval não é este, não é bebedeira e desrespeito, pelo contrário, a festa evoluiu muito desde a saturnália de Roma ou a farinha e água jogada nas pessoas, no Rio de Janeiro. Evoluiu para manifestações culturais em todo o território brasileiro, e é uma pena estarmos retrocedendo para um caminho tão perigoso.
Ainda há tempo. Há tempo para se evitar excessos, garantir à população ambiente seguro para diversão sadia, há tempo para se criar um clima favorável ao verdadeiro sentido da festa. Bom carnaval a todos.