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Extremismo

Valdete Braga

Em uma conversa entre amigos, dois deles, de posicionamentos políticos diferentes, falavam entre si:

– Eu sou de extrema direita, mas respeito sua posição de extrema esquerda – disse o primeiro.

– E eu, mesmo sendo de extrema esquerda, respeito o seu posicionamento de extrema direita – respondeu o segundo.

A esta altura, um terceiro amigo do grupo entrou na conversa:

– Desculpem, mas eu não respeito o posicionamento de nenhum dos dois.

A fala deste terceiro caiu como uma bomba em todos que ouviam, por ser ele conhecido exatamente por nunca participar de discussões políticas. Sempre que algum assunto enveredava por este caminho, ele silenciava e, se cobrado pelo silêncio, respondia sem rodeios que não falava sobre isto.

Devido a este posicionamento, conhecido por todos, todos se espantaram, e os dois que mantinham o diálogo reagiram:

– Como assim? – perguntaram. Você sempre faz questão de dizer que não vale a pena brigar por política, repetiu várias vezes que uma amizade vale mais do que qualquer posição ideológica e justamente quando falamos que nos respeitamos mesmo com as diferenças, você diz o contrário? Está sendo incoerente.

Diante da aprovação dos demais a esta fala, o terceiro respondeu:

– Vocês não entenderam. Eu não disse que não respeito vocês como pessoas e principalmente como amigos. Mantenho a minha posição e reitero que não vale a pena mesmo perder amizades por questões políticas.

Ante o olhar confuso de todos, ele continuou:

– O que me incomodou na conversa de vocês foi a palavra “extrema”. Todo extremismo é nocivo e não posso ouvir calado alguém se orgulhar dele, seja de que lado for.

Um silêncio constrangedor se seguiu, sem que ninguém ousasse ser o primeiro a rompê-lo. Os próprios interlocutores ficaram sem resposta e as demais pessoas do grupo não sabiam o que dizer, diante da aula de bom senso dada exatamente por quem não gostava deste tipo de conversa.

Obviamente, este relato está bem resumido, a conversa foi muito mais do que isto. O foco aqui é refletir sobre esta onda assustadora de extremismo que estamos vivendo. Neste ano eleitoral, as questões estão indo muito além de discutir ideias, as pessoas estão fanáticas por um lado ou outro.

Não existe mais diálogo, é sempre alguém falando para si mesmo, sem admitir ouvir o outro, sempre um certo e outro errado, sem consenso.

Estamos além do exagero, extrapolamos a polaridade, parece doença o grau de fanatismo a que muitos chegaram. Uma pena, porque isto não faz bem a ninguém, e todos saímos perdendo.

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