Mauro Werkema
O mundo em transformação nos traz, a cada dia, surpresas boas e ruins, mas que estão a exigir, de todos — homens e mulheres, instituições de qualquer natureza — releituras, ajustamentos e readaptações para este novo tempo. A velocidade dos acontecimentos, bons ou ruins, extraordinários, levando à aceleração dos ritmos de vida, alcançando a todos com vida social ativa, nos obriga a uma atenção redobrada. Chegamos já em janeiro de 2026 e o Brasil, o mundo, as mudanças se aceleram num mundo globalizado e interconectado pela fantástica evolução da internet e seus aplicativos, que nos tornam cidadãos deste planeta em evolução, queiramos ou não. A rigor, voltamos à “Era das Incertezas”, do famoso livro de Kenneth Galbraith, de 1980.
Mas tais transformações aumentam também os riscos, que se agravam quando vemos as transformações surpreendentes, rápidas, inusitadas e desestabilizadoras quando não bem absorvidas. Já estamos na terceira década do segundo milênio e o planeta Terra, entre muitas outras notícias extraordinárias, é agora ameaçado até de não permitir a vida, com a grave crise climática em veloz avanço. Muitos já são os sinais de agravamento climático, e sem esperança de que seja contido em tempo curto. Mas são muitos os desafios e as questões que se apresentam no mundo contemporâneo, das quais não escapa o Brasil e, a cada dia, com influência na vida de todos nós.
Donald Trump, a cada dia, ameaça o mundo com sua postura agressiva e arrogante. Os EUA, com ameaças tarifárias e militares, ameaçam as relações internacionais e traçam uma nova política para retomar a influência geopolítica que vêm perdendo. China, Índia, Rússia, os países árabes do petróleo e mesmo o Brasil oferecem novo protagonismo nas competições econômicas, na expansão das relações comerciais, na corrida armamentista, nas lutas por afirmação política. Bastaria lembrar, aqui, o que ocorre no mundo árabe-palestino e as ações de Israel. E a ação dos EUA na Venezuela. As ameaças sobre a Groenlândia, Cuba, Irã. A feroz guerra da Ucrânia. O expansionismo russo. As guerras tarifárias dos EUA. A perda de importância dos antigos países colonialistas europeus.
A perda de influência da ONU é fato significativo e ilustra bem o clima discordante entre as nações. Há uma ruptura da ordem internacional. O mundo se torna instável e perigoso. A evolução armamentista se impõe sobre o diálogo e a cooperação. O Fórum de Davos evidenciou a perplexidade mundial mesmo sobre economia e relações já pacificadas. A cooperação se submete a antagonismos e novos arranjos políticos. O uso da força, amparado pela corrida armamentista, se impõe como novo instrumento de diálogo internacional. Questões importantes e urgentes, de benefício mútuo, como o acordo entre a União Europeia e a América do Sul, com o Mercosul, não encontram consensos em tempos úteis.
A turbulência atinge também o Brasil, nas relações internacionais e na ordem econômica e política. Em meio a bons resultados socioeconômicos, prevalecem os conflitos político-ideológicos que paralisam a evolução institucional — e não só do Poder Executivo, mas também do Legislativo e do Judiciário. O que torna muito preocupante a evolução brasileira para este ano e os próximos. São muitas as turbulências políticas e econômicas. O crime organizado, ousado e crescente, é questão grave. O caso do Banco Master, com suas ramificações criminosas, ilustra bem os desvios e condutas da sociedade brasileira, a impunidade, a falência moral e fiscalizatória que permite crimes ampliados e surpreendentes por sua extensão e impunibilidade.
A sociedade brasileira parece manter sua capacidade de mobilização e de ir às ruas. Basta ver o surpreendente e triste episódio do cão Orelha, que nos deixa alguns ensinamentos. Mas saberá votar com consciência para escolher seus representantes nos governos e no Legislativo. Cabe ao voto popular garantir a estabilidade política e governamental que o Brasil precisa para avançar, mas, sobretudo, para enfrentar este novo mundo e os múltiplos desafios que se apresentam a cada dia neste tempo de incertezas. Estamos já na segunda semana de fevereiro de 2026, em tempos de velozes mudanças e muitas incertezas.