Manifestação nesta quarta (17) em frente à prefeitura. Imagem: Instagram SINDSEMI/ Victória Oliveira
A reunião da Câmara Municipal de Itabirito, realizada na última segunda-feira (15), contou com a presença de servidores públicos municipais que intensificaram a mobilização da categoria em protesto contra medidas recentes adotadas pela Prefeitura. Entre as principais reivindicações está a retomada do chamado cartão dobrado de Vale Refeição de Natal, benefício concedido nos últimos anos e que foi cortado em 2025, conforme anúncio recente do Executivo municipal.
De acordo com o Sindicato dos Servidores Públicos de Itabirito (SINDSEMI), a categoria acumula outras perdas de direitos ao longo de 2025 e enfrenta um cenário de incertezas para 2026. O grupo aponta que medidas de contenção de gastos, como a redução do horário de atendimento administrativo, que resultou também no corte do vale-refeição mensal de alguns grupos de servidores de áreas consideradas “não essenciais”, somadas ao anúncio do corte do Vale Natal, motivaram a intensificação das mobilizações aprovadas em assembleia realizada no dia 10 de dezembro.
Durante o ato no Legislativo, os manifestantes levaram um saco plástico vazio com a inscrição “Vale Natal”, em referência à ausência do benefício neste ano. Os servidores também aguardavam a presença de representantes do Poder Executivo, o que não ocorreu.
A sessão foi conduzida pelo presidente da Câmara Municipal, Márcio Juninho. Mesmo sem fala previamente agendada, o presidente do SINDSEMI, Thomás Toledo, utilizou a tribuna livre, com autorização do presidente da Casa e dos vereadores, para expor as demandas da categoria.
Em sua fala, ele criticou a falta de diálogo efetivo por parte da administração municipal. “Receber, se reunir, é uma coisa. Ter boa vontade para atender as demandas é outra. E essa boa vontade a gente sente que não está acontecendo”, afirmou. Thomás Toledo também citou atrasos sucessivos em compromissos assumidos pela Prefeitura, como a correção de distorções da reforma administrativa. Segundo ele, prazos inicialmente previstos para abril foram sendo adiados para junho, agosto, outubro, novembro e, agora, fevereiro de 2026, sem uma resposta conclusiva por parte do governo municipal.
Outro ponto destacado foi a justificativa de crise econômica apresentada pela Prefeitura. O sindicato questiona esse argumento ao citar municípios vizinhos, com menor arrecadação, que anunciaram o pagamento de bônus natalinos aos servidores. “Mariana anunciou bônus de Natal, e Ouro Preto também vai pagar. Ouro Preto é um município maior, com arrecadação menor que Itabirito. Então fica claro que o servidor não foi prioridade no planejamento dessa gestão”, disse.
De acordo com o sindicato, apenas no mês de dezembro, o impacto financeiro para os trabalhadores com o corte do vale-refeição e do bônus natalino chega a R$ 1.300, valor que afeta principalmente os servidores que recebem os menores salários e compromete significativamente a renda familiar.
Greve foi suspensa por decisão judicial
A assembleia realizada no dia 10 de dezembro também aprovou uma paralisação dos serviços públicos para esta quarta-feira (17). No entanto, a mobilização foi suspensa após decisão do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG). Na terça-feira (16), o desembargador Carlos Henrique Perpétuo Braga deferiu liminar em ação declaratória de ilegalidade de greve.
Na decisão, o desembargador considerou que a paralisação total dos serviços comprometeria atividades essenciais, como saúde e limpeza urbana. Com base em entendimento do Supremo Tribunal Federal, foi determinada a suspensão imediata da greve, sob pena de multa diária de R$ 50 mil em caso de descumprimento.
Apesar da decisão judicial, os servidores mantiveram a mobilização e realizaram um ato pacífico em frente à Prefeitura. O sindicato afirma que seguirá mobilizado, cobrando diálogo e soluções que garantam a valorização do servidor público municipal.
A Prefeitura não fez novas manifestações sobre o caso, mas já havia explicado anteriormente que as medidas fazem parte de ajustes necessários para equilibrar as contas públicas.