Victória Oliveira
Investimento de R$ 28 milhões garantiu entrega em tempo recorde, com presença de autoridades, participação comunitária e anúncios sobre mobilidade e desenvolvimento
Foi inaugurado na manhã deste sábado (13) o Trevo do Maracujá, na BR-356, uma obra aguardada há anos pela comunidade local e celebrada como um verdadeiro “presente de Natal” para a região. Executada em tempo recorde — cerca de cinco meses — pela empresa Altto Engenharia, a intervenção foi financiada pelo Instituto Arjon, em parceria com a Prefeitura de Ouro Preto, com apoio do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT).
Mais do que uma obra de infraestrutura, o investimento de aproximadamente R$28 milhões foi apresentado durante a cerimônia como um marco simbólico de um novo modo de pensar desenvolvimento e responsabilidade social. O principal objetivo do trevo é melhorar a mobilidade e, sobretudo, a segurança viária em um dos pontos mais críticos da rodovia, historicamente marcado por acidentes e dificuldades de acesso para moradores e visitantes.
O Trevo do Maracujá é mais um investimento do Instituto Arjon, fundado por João Paulo Cavalcanti, que tem promovido melhorias estruturais no subdistrito do Maracujá e em áreas adjacentes. A cerimônia de inauguração ocorreu no Condomínio Inconfidentes, próximo ao trecho do trevo, reunindo moradores, representantes da Associação de Moradores do Maracujá e diversas autoridades.
Estiveram presentes o prefeito de Ouro Preto, Angelo Oswaldo, a vice-prefeita Regina Braga, o chefe de gabinete da Prefeitura de Itabirito, Orlando Caldeira, o presidente da Câmara Municipal de Ouro Preto, Vantuir Silva, os vereadores Lillian França e Naércio Ferreira, além da deputada federal Greyce Elias (AVANTE).
Durante o evento, o presidente do Instituto Arjon, João Guilherme Porto, destacou o propósito da obra ao responder questionamentos sobre o investimento. “Recentemente perguntaram por que o Instituto faria um trevo de cerca de R$ 28 milhões sem um benefício imediato e direto. A resposta é simples: porque ele vai salvar vidas. Uma vida salva, um acidente que deixa de acontecer ali, não tem valor no mundo que pague”, afirmou.
Ele ainda comentou, em tom descontraído, que a inauguração estava prevista inicialmente para o dia 20 de dezembro. “Jamais poderíamos atrasar, mas acabamos nos adiantando”, brincou.

Engenharia, planejamento e execução em tempo recorde
Um dos pontos mais destacados ao longo do evento foi o prazo de execução da obra. O Jornal O Liberal conversou com Glauco Oliveira, diretor executivo da EPG Engenharia Engenharia e Meio Ambiente, empresa focada em infraestrutura de transportes e responsável pela revisão do projeto e supervisão das obras, que explicou a complexidade do processo.
Segundo ele, o desafio envolveu não apenas a execução, mas também a adequação técnica do projeto original, sua reapresentação e reaprovação junto aos órgãos competentes, além do acompanhamento próximo da construtora para garantir segurança e fluidez no cronograma.
“Estamos falando de uma obra com interferência direta em uma rodovia federal, algo que normalmente leva muito mais tempo. Foi preciso planejar cada etapa, discutir soluções de engenharia e otimizar processos para garantir segurança, acessibilidade e o menor impacto possível para os moradores da região”, explicou.
Glauco destacou ainda que o trevo já foi concebido considerando o futuro da BR-356. A estrutura está preparada para uma eventual duplicação da rodovia, promessa ainda aguardada para o trecho, evitando que a obra precise ser novamente modificada quando esse processo ocorrer. “Foi uma experiência sensacional”, concluiu.
Uma nova “escola” de fazer mineração
Em seu discurso, o prefeito Angelo Oswaldo ressaltou o simbolismo da obra para Ouro Preto e para Minas Gerais, fazendo uma comparação com a tradição histórica da cidade na formação técnica e científica.
“Na sede de Ouro Preto temos a primeira escola de mineração do país, a Escola de Minas. Mais de 150 anos depois, temos uma nova escola de mineração, que é o Instituto Arjon, ensinando a fazer mineração como ela deve ser feita”, afirmou.
O prefeito também destacou que o trevo representa um passo concreto para qualificar uma das rodovias mais importantes do estado, que liga Ouro Preto à capital. Segundo ele, as condições das estradas impactam diretamente o turismo, a mobilidade e o desenvolvimento regional.
Já o presidente da Câmara Municipal de Ouro Preto, vereador Vantuir Silva, enfatizou a importância da parceria entre o poder público e a iniciativa privada para a viabilização da obra. “Se fosse esperar apenas pelo poder público, esse trevo não teria saído do papel. Quando existe parceria público-privada, as coisas acontecem”, afirmou.
O vereador também destacou a forma de atuação da Arjon Minerações e do Instituto Arjon, ressaltando que a empresa adota um modelo que dialoga com a comunidade desde o início do processo. “Muitas vezes a mineração chega, causa impactos e só depois pergunta o que pode fazer como compensação. Aqui é o contrário: vocês chegam, constroem junto, escutam a comunidade, e depois vão minerar”, disse.
Nesse contexto, é importante destacar que ações de mitigação de impactos, investimentos sociais e compensações ambientais não são facultativas, mas fazem parte das obrigações legais que regem a atividade minerária no Brasil. Embora a Arjon Minerações ainda não esteja em operação na região, empresas do setor devem seguir normas ambientais, sociais e urbanísticas, que incluem medidas de compensação e responsabilidade com os territórios impactados. A atuação do Instituto Arjon se insere nesse entendimento de que desenvolvimento econômico deve caminhar junto com planejamento, diálogo comunitário e cumprimento das responsabilidades legais.

Provocação sobre aeroporto regional amplia debate
Durante a cerimônia, o presidente da Câmara Municipal de Ouro Preto, vereador Vantuir Silva, aproveitou o momento para lançar uma provocação sobre o futuro da região. Ele sugeriu a possibilidade de criação de um aeroporto de pequeno ou médio porte, que poderia facilitar o acesso de empresários, investidores e lideranças à cidade.
Segundo o vereador, a melhoria da infraestrutura de transporte é fundamental para atrair investimentos e fortalecer o desenvolvimento regional. Ele convidou o Instituto Arjon a refletir sobre uma possível parceria futura para viabilizar a ideia. A proposta ainda não foi desenvolvida, mas gerou reflexões entre os presentes e reforçou o debate sobre planejamento regional de longo prazo.
Nova linha de ônibus para Itabirito é anunciada
Outro anúncio foi comemorado durante a inauguração: a criação de uma nova linha de transporte entre a região do Maracujá e Itabirito. A iniciativa surge após a suspensão de horários de ônibus que atendiam a comunidade, o que vinha gerando dificuldades de deslocamento.
Atendendo a um pedido da Associação de Moradores do Maracujá, o Instituto Arjon anunciou que, a partir do início de janeiro, será disponibilizado transporte regular ligando a região a Itabirito, com tarifa de R$ 5,00. O trajeto sairá da localidade dos Cristais (também conhecida como Capanema) até Itabirito, com três horários diários: pela manhã, no horário de almoço e à tarde.
Além disso, o deslocamento interno entre Cristais e o trevo será gratuito. A linha para Ouro Preto, já existente, continua com tarifa única de R$ 2,00.

Comunidade celebra transformação e segurança
Representantes da Associação de Moradores do Maracujá também discursaram durante o evento, destacando o impacto direto da obra para cerca de 650 famílias que vivem, trabalham ou frequentam a macro-região. “Hoje é um dia de celebração, de orgulho e de profunda gratidão. Esta obra vai transformar a vida da nossa gente, trazer mais segurança e fortalecer nossa confiança no futuro”, afirmou uma das representantes do grupo.
O Instituto Arjon reforçou seu compromisso com a comunidade e com o legado que pretende deixar na região. “Quando eu cheguei aqui, pela minha antiga empresa, eu entendi que havia uma missão. Uma missão de contribuir, de deixar um legado. O Instituto Arjon existe para transformar vidas, unir pessoas e organizações e cuidar desse lugar. Esse é o nosso propósito”, destacou João Paulo Cavalcanti.
A inauguração foi marcada ainda por um momento simbólico na placa de “Bem-vindo ao Maracujá”, com apoio da Polícia Militar para a paralisação do trecho da rodovia e uma surpresa com explosão de cores, celebrando a entrega da obra.