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COP-30: o mundo sabe o que fazer, mas não está garantido

Mauro Werkema

A Cop-30 deixa muitas lições para a Humanidade e os caminhos urgentes que precisa adotar enquanto ainda é tempo para salvar o Planeta Terra. É certo que são muitas as divergências, mas avançou-se em convergências segundo as opiniões mais abalizadas sobre os resultados e evoluções deste debate crucial para todos. Mas a questão mais importante, que seria um pacto mundial, referendado pela ONU e pela totalidade dos países, ainda não se alcançou na plenitude que a gravidade da questão ambiental está a exigir. Mas há manifesta maioria das opiniões entre os países presentes que são necessárias e urgentes várias medidas que precisam ser urgentemente tomadas para conter a escalada da crise climática e os desastres ambientais que já se manifestam.

Mas, é preciso reconhecer, o encontro foi extremamente rico pela diversidade, pluralidade e participações de países, governos, entidades ambientalistas, empresariado, instituições cientificas e grupos sociais, manifestantes que desejam ser mais ouvidos e que, legitimamente, tem o que revelar. O que vimos, e temos que elogiar esta COP e o patrocínio brasileiro, é um rico encontro de diferentes nações e culturas, classes sociais, militantes de toda natureza, que mostram de maneira clara e positiva que as sociedades se organizam, se manifestam, revelam consciência de que é possível discutir o planeta e suas condições de vida com respeito à natureza, que deve ser obrigação de todos.

Vivemos, enfim, uma bela festa democrática, talvez única na história mundial. E os relatórios avançaram quanto à indicação de iniciativas concretas a serem imediatamente implementadas para evitar o desequilíbrio climático mundial, apensar dos negacionismos, resistências ideológicas, algumas restrições de países ricos em oferecer mais recursos financeiros ou, por parte de alguns de perder receitas financeiras se mudarem suas fontes energéticas, como é o caso dos países produtores de petróleo ou usuários do carvão mineral, apontados como as duas principais fontes poluidoras do mundo.

Mas constata-se que a ciência vence o confronto com o negacionismo no plano das ideias. Mas ainda não garante, pelo menos a curto prazo, que a negligência da Humanidade com a questão climática, e com o futuro do planeta, seja integralmente superada e vencida, com medidas de contenção dos desastres já anunciados. Há que se avançar na relação entre os países, na diplomacia e na política e manter a esperança de que é possível recuperar tempos perdidos. Esperamos todos, enfim, que os ricos e pertinentes debates desta COP-30, indo além da COP de Paris, possam ampliar suas iniciativas de conter os desastres climáticos e reduzir a destruição das condições de sustentabilidade ambiental que permitiram a vida, humana, animal e vegetal, nestes milhares de anos de existência do planeta.

Quanto às opiniões e diagnósticos científicos esta COP aprofundou conhecimentos. O mundo todo, hoje, sabe muito bem o que precisa fazer. São essenciais: realizar a transição energética para as fontes eólica e solar e eliminar os poluentes; eliminar os combustíveis fósseis; conter a temperatura, nos limites de 1,5 C para conter a evaporação dos mares e novos tufões, furacões e tempestades; conter as emissões do gás carbono, que desprotege o ar e o equilíbrio climático planetário; regularizar as estações climáticas e retornar as estações anuais e a regularidade das safras agrícolas; conter o desmatamento; salvar os rios e as fontes de água; evitar as ocupações urbanas desordenadas; inovar nas tecnologias industriais; tornar obrigatório cumprimento dos limites já decididos para limitar o aquecimento global. E os muitos outros, que a ciência indica.

O encontro de Belém foi claro: para salvar o planeta é urgente que haja convergência de atitudes, de todo o mundo. Os países ricos precisam disponibilizar mais recursos que os países pobres não tem. Estima-se que será preciso disponibilizar US$ 2,7 trilhões, por ano, e que, com urgência, são necessários ao menos U$ 1,3 trilhão para medidas imediatas. Mas até agora não disponibilizados. Indicou-se o Banco Mundial como gestor destes recursos e seu programa de aplicações. Mas, enfim, a COP-30 demonstrou cabalmente duas questões: o problema é de todos, é de todo o mundo, de cada país, governo, Estados e municípios; e que só será possível através do multiculturalismo, com a reorganização geopolítica do Planeta Terra. Sem isso, não haverá futuro viável.

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