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Que verdades as mulheres não contam?

– Parte 2 –
Na crônica da semana passada, escrevi um pouco sobre a mistura apavorante de ansiedade com realização em que me encontrava, seis horas antes de lançar oficialmente e por Live, meu livro de crônicas “As verdades que as mulheres não contam”, pela Editora Chiado Books, de Portugal. Porém, graças a Deus!, o bate-papo na Live com a Bethânia Brum, administradora da Livraria São José, em Ouro Preto (MG), foi muito agradável e exultante. 
Poder falar sobre o processo de criação e publicação de um livro, que de certa maneira para nós escritores é sim como um filho, é realizador, ainda mais em um país que valoriza tão pouco a leitura. E representa a conclusão de um ciclo iniciado lá na primeira página em branco por nós escrita.
Nas 43 crônicas do livro, a maioria possui viés cômico. Entretanto, acabei por perceber, no processo de pré-venda e divulgação, que outra parte do livro pode ser um tanto reflexiva. Assim como na Live de lançamento, foi levantada a questão pela Bethânia, do quanto nós mulheres não falamos a verdade, em inúmeras situações – por medo, por vergonha, por falta de oportunidade e, principalmente, pela repressão cultural que ainda permeia muitos relacionamentos – não somente os passionais.
Na primeira versão, lançada em 2007, tinha visões diferentes dos temas abordados – daí o motivo principal deste relançamento do livro: torná-lo contemporâneo. Retirei umas crônicas, incluí outras, revisei e reescrevi vários trechos. 
Questionam-me se há textos autobiográficos ou que “entregam” pessoas conhecidas. Na verdade, não há uma crônica na íntegra autobiográfica ou estilo “X-9”. Mas muitas foram baseadas em fatos sim ocorridos comigo ou com conhecidos – posteriormente recriados, retrabalhados e incrementados nas crônicas. Questionam-me a crônica favorita. Indico três: a que abre o livro – “Cartão de descrédito”; a que deu inspiração para a capa – “O melhor amigo do homem”; e a que encerra o livro – “Eu queria ser…”.
E entre os temas sobre relacionamentos passionais ou não, dilemas internos, desejos escancarados ou proibidos, embates e conflitos pessoais, refleti um bocado sobre a importância de se reescrever. Por fim, mudei a capa. E, nesse processo todo, consegui perceber o tanto que também mudei.
Jornalista e autora dos livros “As verdades que as mulheres não contam” e “Para alguém que amo – mensagens para um pessoal especial”.

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