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Os novos presidentes da Câmara e do Senado

No dia 01 de fevereiro de 2021 foram eleitos os novos presidentes da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (AL), e do Senado Federal, Rodrigo Pacheco (MG). Eles ficarão no cargo até o fim de 2022, quando também se encerrará o mandato do presidente Jair Bolsonaro. Qual o significado da eleição dos novos presidentes?
Primeiramente, ela representa uma grande vitória política do presidente Bolsonaro, pois ele apoiou publicamente os candidatos vitoriosos. Particularmente, a vitória de Arthur Lira foi a mais significativa, pois o ex-presidente da Câmara, Rodrigo Maia (RJ), apoiou o candidato derrotado, Baleia Rossi (SP), que ainda contou com o apoio das direções do PSDB, PT e MDB. A derrota de Baleia Rossi foi um duro golpe contra os sonhos de se construir uma grande frente partidária em torno de uma candidatura de centro, pois os grandes partidos patrocinadores dessa ideia não conseguiram sequer colocar seu candidato no segundo turno da eleição à presidência da Câmara dos Deputados. Arthur Lira foi eleito no primeiro turno com expressivos 302 votos dos deputados. Os partidos que o apoiaram não fazem parte do grupo dos chamados grandes, mas tiveram um expressivo aumento no número de prefeituras conquistadas nas eleições municipais de 2020. Por isso, a vitória do candidato dos partidos emergentes sinaliza a perda de importância e de influência política-eleitoral de MDB, PSDB e PT, sinalizando um novo quadro partidário na política brasileira. Nesse sentido, Bolsonaro, que não tem partido no momento, tem uma ampla opção de partidos para construir uma grande base política de apoio não apenas para os dois anos que faltam para terminar seu mandato, mas também para o apoiar no projeto de reeleição. A vitória de Bolsonaro revela a grande derrota do governador de São Paulo, João Doria (PSDB), que apoiou o candidato derrotado Baleia Rossi.
Em segundo lugar, a vitória de Rodrigo Pacheco (DEM-MG) para a presidência do Senado Federal e, também, do Congresso Nacional sinaliza a emergência de um jovem político que rapidamente alcançou um posto de grande importância. O feito de Rodrigo Pacheco é que ele é mineiro e conquistou uma presidência que nas últimas décadas era dominada por políticos tradicionais (a maioria de ex-governadores de estado) das regiões Norte e Nordeste, além de fazerem parte de grandes partidos, geralmente do MDB. Rodrigo Pacheco soube articular um grande leque de alianças partidárias, da direita à esquerda. Isso foi possível porque a dinâmica representativa no Senado é diferente da dinâmica da Câmara dos Deputados. No Senado os interesses dos estados e dos governadores têm maior impacto que na Câmara dos Deputados e estando a dois anos das eleições estaduais para Governador, Deputado Estadual, Deputado Federal e Senador esses interesses falaram bem mais forte. Foi em torno disso que a candidatura de Rodrigo Pacheco se estruturou e com o apoio do presidente Bolsonaro sinaliza que as ações do novo presidente serão no sentido de buscar a conciliação entre os poderes e evitar medidas de confrontação, como as que marcaram os dois primeiros anos do mandato de Bolsonaro, com constantes embates envolvendo o Senado e, principalmente, a Câmara dos Deputados presidida por Rodrigo Maia.
Agora, Bolsonaro pode ter mais esperanças de avançar uma pauta econômica com algumas reformas importantes, como a fiscal e administrativa, além de avançar em medidas de recuperação da economia que foi bastante abalada pelas medidas de enfrentamento da pandemia do Covid-19. Se ele conseguir um clima de cordialidade e união com os dois novos presidentes ele terá um aliado de grande importância que será o Congresso Nacional para conseguir, em menos de dois anos, gerar um clima mais otimista quanto à economia brasileira. Não será nada fácil essa tarefa, porque ele terá alguns meses este ano para implantar uma nova rotina de votação de projetos voltados para a recuperação da economia, evitando cair nas frequentes paralisias legislativas que ocorreram nos dois anos das presidências de Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre. Para isso será fundamental que Bolsonaro mantenha o estilo mais “light” na presidência, que ele assumiu desde junho de 2020.
Finalmente, o cenário para a eleição presidencial de 2022 ficou mais claro com o resultado das eleições para as presidências na Câmara dos Deputados e do Senado Federal. Bolsonaro está mais fortalecido para disputar sua reeleição, pois ele anulou um foco de oposição que era alimentando pelo Rodrigo Maia (em parceria com João Doria). Com Arthur Lira na presidência da Câmara, Bolsonaro tem um aliado que deverá garantir uma pauta de votações mais favorável para a presidência da República, especialmente no enfrentamento da pandemia e na recuperação da economia. E com o fato de Bolsonaro ter pelo menos um terço do eleitorado o apoiando, tudo isso somado dá favoritismo para sua reeleição. Por outro lado, a oposição sai mais enfraquecida, pois nenhum nome mais ao centro conseguiu sair em evidência para enfrentar Bolsonaro. Sérgio Moro é o mais popular desses nomes, mas ele não tem ainda um perfil partidário como candidato. Outro que se encontra nessa situação é Luciano Huck, mas a derrota de Rodrigo Maia abalou sua candidatura (ele deveria sair candidato pelo DEM, que ficou dividido na eleição da Câmara, com a maioria apoiando Arthur Lira). E Doria foi o maior derrotado, pois é o mais impopular e perdeu um grande aliado na Câmara.
*Cientista Político/Diretor de GIGA Instituto de Pesquisa
Professor de Relações Internacionais do IBMEC-MG
Professor de Administração Pública da UFOP

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