Entre os dias 18 e 22 de fevereiro, 1.638 eleitores mineiros foram entrevistados pelo Instituto Paraná Pesquisas para avaliarem o governo de Romeu Zema e, também, sobre suas preferências eleitorais para a eleição ao governo de Minas em 2022. Os resultados foram muito favoráveis para o atual governador.
Em relação à avaliação do governo, 69% aprovam o governo Zema e 26% o desaprovam. Esse índice de aprovação é muito elevado e coloca Zema em ótima situação quanto ao seu futuro político, não apenas para Minas Gerais, como também para o Brasil. Zema fortalece ainda mais sua presença no partido Novo, e se projeta como uma liderança política nacional. O seu mandato tem sido de enormes desafios, como o enfrentamento da falência da economia mineira em razão das más decisões financeiras feitas pelo antigo governador, Fernando Pimentel. Logo no início Zema teve que desatar o nó da crise política decorrente da suspensão de repasses do ICMS do governo de Minas às prefeituras, teve que renegociar a dívida do Estado com o governo federal, o que o motivou a ter uma relação amistosa com o presidente Bolsonaro, ele teve que enfrentar a crise ambiental e econômica decorrente da tragédia da barragem de Brumadinho e, para piorar, ainda está enfrentando o desafio da pandemia da Covid-19. Não devendo ser esquecido que, um mês antes da pandemia se impor na agenda política nacional, Zema estava conduzindo uma crise política referente aos reajustes salariais da PM-MG. Por causa de tanta crise, iniciar o terceiro ano de mandato com 69% de aprovação é uma demonstração de força política e de capacidade de liderança e gerenciamento.
Mas é na análise das simulações para a eleição para o governo de Minas que o favoritismo de Zema fica mais evidente. Foram feitos quatro cenários pelo instituto Paraná Pesquisas e em todos Zema lidera com mais de 40%. No primeiro cenário, ele alcança 44%, enquanto Alexandre Kalil (prefeito de Belo Horizonte) tem 24%, outros sete nomes têm 19% e 17% não escolheram ninguém. No segundo cenário, com menos nomes testados, Zema tem 45%, Kalil 24%, os seis nomes têm 15% e 16% não escolheram ninguém. No terceiro cenário, com Kalil sendo substituído pelo senador Carlos Viana, Zema alcança 49%, Carlos Viana vem segundo com 8%, os demais sete nomes têm 22% e 21% não escolheram nenhum nome. E, finalmente, no quarto cenário, Zema tem 52%, Carlos Viana tem 8%, os demais seis nomes têm 17% e 22% não escolheram nenhum nome.
Analisando em conjunto os quatro cenários, a primeira observação que se destaca é que o percentual de votos de Zema no mínimo empata com a soma dos demais candidatos, o que indica a possibilidade dele conquistar a vitória já no primeiro turno (apenas no primeiro cenário ocorre o empate, nos demais Zema tem mais votos que os demais candidatos). Essa observação é perturbadora para os cálculos eleitorais de seus adversários, em especial para o prefeito de Belo Horizonte, Kalil, que tem procurado polarizar com o governador Zema, em especial no enfrentamento da pandemia. Se Kalil apresenta excelentes resultados de aprovação em Belo Horizonte, para o eleitorado mineiro ele ainda não é visto como uma forte opção de voto. Isso ocorre porque a região metropolitana de Belo Horizonte representa pouco mais de um terço do eleitorado mineiro e sempre foi um grande desafio um ex-prefeito da capital ganhar uma eleição estadual. A última vez que isso aconteceu foi em 1994, quando Eduardo Azeredo disputou a eleição dois anos após ter finalizado o mandato como prefeito de Belo Horizonte (ele havia sido eleito vice-prefeito ao lado de Pimenta da Veiga em 1988, mas em 1990 Pimenta da Veiga saiu da prefeitura para disputar, e perder, a eleição para o governo de Minas e, assim, Eduardo Azeredo assumiu a prefeitura). Depois de Eduardo Azeredo, nenhum ex-prefeito de Belo Horizonte ganhou uma eleição para o governo estadual após ter finalizado o mandato de prefeito (sim, Fernando Pimentel foi prefeito de Belo Horizonte até 2009, mas, depois, ele assumiu o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, de 2011 a 2014) e foi em 2014, na condição de ex-ministro que ele disputou a eleição para o governo de Minas. Esse breve histórico revela o grande desafio que é para um ex-prefeito de Belo Horizonte ganhar uma eleição para o governo estadual.
Os demais candidatos estão muito além das intenções de voto de Zema e Kalil, o que projeta esses dois nomes como os que deverão polarizar a disputa no ano que vem para o governo de Minas. Desse modo, a menos que ocorra alguma surpresa política da parte de Zema ou de Kalil, a disputa ao governo de Minas Gerais em 2022 será entre eles, com franco favoritismo para Zema. Kalil terá que virar opção para uma expressiva parcela do eleitorado mineiro que, hoje, já está escolhendo Zema. Não será nada fácil essa operação, ainda mais que Zema está se especializando na arte de enfrentar crises inéditas e de forte repercussão política e econômica. Poucos políticos teriam sobrevivido às crises que Zema tem enfrentado desde que assumiu o governo de Minas. Ele não apenas sobreviveu, como cresceu politicamente com elas. Um feito de grandes proporções.
*Cientista Político/Diretor de GIGA Instituto de Pesquisa
Professor de Relações Internacionais do IBMEC-MG
Professor de Administração Pública da UFOP