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Os motivos para o aumento da popularidade do governo Bolsonaro

Desde a posse de Bolsonaro, o Datafolha publicou oito pesquisas de avaliação de seu governo, nestas datas: 03/04/2019, 05/07/2019, 30/08/2019, 06/12/2019, 27/04/2020, 26/05/2020, 24/06/2020, 12/08/2020. Nesse intervalo de tempo, os percentuais de “ótimo/bom” para Bolsonaro foram, respectivamente: 32%, 33%, 29%, 30%, 33%, 33%, 32%, 37%. E os de “péssimo/ruim” foram, respectivamente: 30%, 33%, 38%, 36%, 38%, 43%, 44%, 34%.
O que os dados indicam é que – no período que a Covid-19 começou a transformar a rotina dos brasileiros, a partir de meados de março deste ano – os índices de aprovação (soma de ótimo e bom) variaram do menor (32%, em 24/06/2020) ao maior (37%, em 12/08/2020). E os índices de desaprovação (soma de péssimo e ruim) variaram do menor (34%, em 12/08/2020) ao maior (44%, em 24/06/2020). Como as pesquisas têm a margem de erro de 2 pontos percentuais, a última pesquisa Datafolha (de 12/08/2020) registra um aumento significativo no índice de aprovação e, também, uma queda significativa no índice de desaprovação de Bolsonaro.
Logo, a conclusão é que o governo Bolsonaro chegou no mês de agosto, depois de mais de quatro meses após o início da pandemia, em uma situação de fortalecimento político. Não houve o desgaste que tanto a pandemia, como as saídas de ministros populares, como Sérgio Moro (Justiça e Segurança Pública) e Luiz Henrique Mandetta (Saúde), poderiam ter causado na popularidade de Bolsonaro.
Tendo ainda em consideração uma campanha diária de publicação de notícias e avaliações negativas da conduta do presidente em relação ao enfrentamento da pandemia, executada pela chamada grande imprensa brasileira, o fortalecimento político de Bolsonaro, ocorrido nesse período tão conturbado, revela uma característica dele como governante, que é a capacidade de se comunicar diretamente com a população, sem depender da grande imprensa. Não tivesse Bolsonaro essa capacidade, ele estaria agora, no mês de agosto, com índices muto baixos de popularidade que dariam sustentação popular para os inevitáveis pedidos de impeachment ou de cassação de chapa que todo presidente eleito enfrenta no Brasil, desde a retomada de eleições diretas para presidente, em 1989.
O mesmo instituto Datafolha, na pesquisa de 12/08/2020, revela que apenas 11% dos respondentes avaliam que Bolsonaro é o único culpado pelas mortes causadas pelo Covid-19, enquanto 47% não consideram que ele tenha alguma culpa por elas. 41% ficaram no meio termo, avaliando que Bolsonaro é um entre outros culpados. Assim, 88% dos brasileiros não consideram que Bolsonaro seja o único responsável pelo “genocídio”, como alguns políticos e ministros do STF quiseram insinuar. A campanha fracassou, ficando restrita aos 11%.
Quem me acompanha aqui sabe quais as razões desse desempenho de Bolsonaro, mas vale relembrar.
Em primeiro lugar, Bolsonaro não depende da chamada grande imprensa para se comunicar com a população. Ele faz sua comunicação política usando as redes sociais, onde ele consegue, diariamente, publicar suas ações, defender-se das notícias e análises negativas difundidas nos grandes meios de comunicação e, principalmente, ele consegue manter ativa sua base de apoio político, o que inclui manifestações favoráveis simultaneamente em diversas cidades brasileiras.
Em segundo lugar, Bolsonaro se posicionou estrategicamente no enfrentamento da pandemia, tendo como horizonte político não o curto, mas o longo prazo em termos de mandato. Ou seja, Bolsonaro mirou o ano de 2022 para assumir uma posição política de enfrentamento da pandemia e de seus efeitos na economia do país. Assim, no curto prazo, com o agravamento das condições de saúde, evidenciada na quantidade de mortes diariamente lembradas no noticiário da grande imprensa, tudo isso colocou seu governo contra a parede. Mas, passados quatro meses desse terrível evento, seu efeito imediato na saúde diminuiu e, paralelamente, aumentaram os efeitos na economia causados pelas medidas assumidas por governadores e prefeitos para enfrentarem a pandemia. A população ficou informada da situação, seja pela campanha feita pela grande imprensa, seja pela comunicação política de Bolsonaro nas redes sociais, e desse modo ela está agora avaliando as responsabilidades pelas mais de cem mil mortes decorrentes da pandemia. E, como evidencia a última pesquisa Datafolha, Bolsonaro não está sendo responsabilizado, revelando que sua estratégia de comunicação política se mostrou mais eficiente que a da grande imprensa e de seus opositores.
Ao conseguir enfrentar com sucesso uma carga tão negativa de eventos e notícias e sair com um crescimento na sua popularidade, Bolsonaro se revela como um fenômeno político atípico, indicando que ele faz uso de visão estratégica de longo prazo no seu governo, e que há uma estudada comunicação política em uso. Apesar dessas evidências e dos resultados obtidos, a maioria de seus opositores continua mantendo uma visão depreciativa das capacidades políticas de Bolsonaro. Certamente, ele conta com essa atitude de seus opositores.
*Cientista Político/Diretor de GIGA Instituto de Pesquisa
Professor de Relações Internacionais do IBMEC-MG
Professor de Administração Pública da UFOP

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